22 de out de 2007

LIVRO ESPÍRITA : BEST-SELLERS DO ALÉM


Com vendas estratosféricas, e mais de cem milhões de exemplares publicados, os livros espíritas são um fenômeno editorial que cresce a cada dia. Qual o segredo desse sucesso?

Por Luana Villac
Edição: Lauro Henriques Jr.

Quem é o escritor francês mais lido no Brasil? Se você pensou em nomes como Émile Zola, Jean Paul Sartre ou Victor Hugo, esqueça. O título pertence ao pedagogo Hippolyte Léon Denizard Rivail, mais conhecido como Allan Kardec. Com 11 milhões de exemplares vendidos no país, o codificador da doutrina espírita deixa seus compatriotas clássicos no chinelo.

Aliás, quando se trata de literatura espírita, os superlativos não se limitam a Kardec. De acordo com o levantamento mais recente da Associação de Editoras, Distribuidoras e Divulgadoras do Livro Espírita (Adeler), as obras do médium Francisco Cândido Xavier já ultrapassaram os 20 milhões de exemplares vendidos. Só o seu primeiro livro, Nosso Lar, de 1944, já vendeu 1 milhão e 648 mil unidades em língua portuguesa. Outros autores contemporâneos, como Divaldo Franco, Vera Lucia Marinzeck Carvalho e Zibia Gasparetto, ostentam números igualmente impressionantes, com vendas superiores a 4 milhões de livros cada um. Para se ter uma idéia da dimensão do feito, uma obra que consiga chegar às mãos de cinco mil leitores já é considerada bem-sucedida no Brasil. Ou seja, o etéreo “lado de lá” é um fenômeno literário incontestavelmente sólido do lado de cá. Sólido, e a cada dia maior.

A crescente demanda, aliada à profissionalização do setor, resultaram em uma enorme expansão do mercado editorial dedicado ao segmento nos últimos dez anos. Hoje há 120 editoras espíritas em atividade, pelo menos mil autores especializados e somam-se mais de 130 milhões de obras editadas no Brasil, que vão desde romances e textos filosóficos até peças de teatro e livros infantis.

Escritores espirituosos

A grande maioria das obras relacionadas ao Espiritismo é psicografada, ou seja, tem sua autoria atribuída a espíritos que as escreveriam por meio de um médium. É o caso, por exemplo, do best-seller Violetas na Janela (Ed. Petit), que teria sido ditado à Vera Lúcia Marinzeck de Carvalho pelo espírito de uma jovem chamada Patrícia. Nesse sentido, muitos se perguntam até que ponto o autor “terreno” participaria ou não da produção da obra.

De acordo com Allan Kardec, a psicografia pode se dar de forma consciente, semimecânica ou mecânica, dependendo do grau de consciência do médium durante o processo. No primeiro caso, o médium teria plena noção daquilo que escreve, apesar de não reconhecer em si a autoria das idéias contidas no texto. Assim, teria a capacidade de influir nos escritos. Para evitar essa interferência terrena, os médiuns têm que passar por longos anos de prática. “Quando psicografo não interfiro. Escrevo apenas o que me é ditado”, afirma Vera Lúcia Marinzeck de Carvalho. “Mas foi só com muito treino e estudo que aprendi a distinguir essa diferença e ser uma intermediária fiel.”

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