DIÁLOGO SOBRE O AMOR - Divaldo Franco

"A jovem discípula acercou-se do mestre e, ruborizando-se, pediu-lhe que falasse do amor. O Sábio sorriu, e, desculpando-se, perguntou-lhe o que ela considerava como sendo o amor. Emocionando-se, a aprendiz explicou:
- Compreendo o amor, como sendo a ânsia que experimentam as praias, que aguardam os beijos sucessivos das ondas contínuas do mar; como a sofreguidão que tem a raiz de introduzir-se no solo, a fim de sustentar a planta; como a expectativa da rocha que anela pela carícia do vento, embora se desgaste com isso. Como o desejo infrene da terra crestada, pela generosidade da chuva. Como a flauta aguarda pelo sopro que lhe arranca das entranhas a doce melodia. Como o barro esquecido pede ao oleiro que lhe dê forma e beleza. Como a semente que necessitava despedaçar-se, para libertar a vida. Como a lâmpada apagada que exige a energia para brilhar. O amor é o sangue novo para o coração e o vinho bom para aquecer a criatura, quando o frio lhe enregela a vida... Assim vejo e sinto o amor.
- E vós, como vedes o amor?"
- O amor é o doce e compreensivo companheiro da criatura em todos os dias da sua vida. Se esta é jovem, ei-lo que se apresenta, ardente e apaixonado, como no teu caso, mas que segue adiante. O amor é calmo e ameno. Não incendeia paixões; dulcifica-as. Confundido com o desejo, permanece, quando este passa. Nunca se irrita; porque espera. Considerado como instinto, persiste, quando descoberto pela razão. Jamais perturba; pois que felicita e produz harmonia.
- Não te apresses no amor, e descobrirás que já começaste a amar, quando sentires necessidade de doar e doar-te sem desejares receber nada em retribuição."
- Compreendo o amor, como sendo a ânsia que experimentam as praias, que aguardam os beijos sucessivos das ondas contínuas do mar; como a sofreguidão que tem a raiz de introduzir-se no solo, a fim de sustentar a planta; como a expectativa da rocha que anela pela carícia do vento, embora se desgaste com isso. Como o desejo infrene da terra crestada, pela generosidade da chuva. Como a flauta aguarda pelo sopro que lhe arranca das entranhas a doce melodia. Como o barro esquecido pede ao oleiro que lhe dê forma e beleza. Como a semente que necessitava despedaçar-se, para libertar a vida. Como a lâmpada apagada que exige a energia para brilhar. O amor é o sangue novo para o coração e o vinho bom para aquecer a criatura, quando o frio lhe enregela a vida... Assim vejo e sinto o amor.
- E vós, como vedes o amor?"
- O amor é o doce e compreensivo companheiro da criatura em todos os dias da sua vida. Se esta é jovem, ei-lo que se apresenta, ardente e apaixonado, como no teu caso, mas que segue adiante. O amor é calmo e ameno. Não incendeia paixões; dulcifica-as. Confundido com o desejo, permanece, quando este passa. Nunca se irrita; porque espera. Considerado como instinto, persiste, quando descoberto pela razão. Jamais perturba; pois que felicita e produz harmonia.
- O amor é claridade que permanece; é pão que nutre; é vida que se irradia da vida. Mesmo quando não identificado, encontra-se presente, porque, sem ele, a vida não existe ou perderia o sentido de ser.
A jovem ardente, empalideceu, e, submissa à voz do amor, pediu ao mestre:
- Ensina-me a amar, eu que agora corro em busca do amor, sem dar-me conta que, em mim, ele se deve irradiar, abrangente, em todas as direções.
- Não te apresses no amor, e descobrirás que já começaste a amar, quando sentires necessidade de doar e doar-te sem desejares receber nada em retribuição."
"Eros", psicografia de Divaldo Pereira Franco, no livro "Em Algum Lugar no Futuro"















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