13 de fev de 2008

A BRINCADEIRA DO COPO

Por Tiago Carvalho
Editor : Lauro Henriques Jr.

Quem não tem uma história de infância, própria ou de um conhecido, sobre amigos que resolveram se comunicar com espíritos por meio da brincadeira do copo? A grande maioria das pessoas tem. Assim como a maior parte delas não tem a menor idéia dos perigos envolvidos em tal prática, que pode acabar atraindo espíritos negativos que vão atazanar a vida dos participantes.

A brincadeira é simples: letras do alfabeto são dispostas em círculo, e, no centro, é colocado um copo, sobre o qual permanecem os dedos dos presentes; o espírito invocado, então, passa a mover o objeto ao longo das letras de modo a formar mensagens. O passatempo é simples e tão antigo quanto a curiosidade humana sobre o mundo dos mortos. Estima-se que jogos de comunicação com o plano espiritual – como pêndulos e as famosas tábuas Ouija – existam desde os primórdios da civilização. A brincadeira do copo seria apenas mais um deles. E, como seus similares, é condenada pelo Espiritismo.

Para os espíritas, o problema não estaria tanto na forma do jogo, mas, sim, no seu objetivo: um mero jogo de adivinhação. Muito praticado por crianças e adolescentes, envolveria apenas espíritos dispostos a solucionar questões primárias e irrelevantes. São bastante comuns, por exemplo, perguntas sobre o que as pessoas carregam no bolso. O risco estaria justamente nesse caráter fútil da brincadeira. “A comunicação com a dimensão espiritual deve estar cercada de todos os cuidados, e, em geral, a brincadeira do copo atrai somente espíritos levianos e brincalhões. Lidando-se com espíritos inferiores, o risco de surgir uma obsessão espiritual é alto”, afirma o médium Raphael Carneiro, ligado ao Centro Espírita Léon Denis, no Rio de Janeiro, e administrador do grupo de discussão virtual IRC-Espiritismo. “Essa simples brincadeira pode germinar um processo obsessivo, de conseqüências negativas e duradouras”.

Mas nem sempre a brincadeira do copo envolveria, de fato, um espírito. Muitas vezes, o “copo que anda sozinho” na verdade é movido pelos próprios participantes, inconscientemente, num fenômeno conhecido como ação ideomotora. Descrito pela primeira vez, no fim do século 19, pelo fisiologista inglês William Carpenter – e também aceito pelos estudiosos espíritas –, o efeito ideomotor nada mais é que uma ação muscular involuntária dos envolvidos no jogo, que movem o objeto que supostamente seria deslocado pela “entidade”.

Texto publicado no Especial
"150 anos do Espiritismo" - Volume 1,
no Almanque Abril, da Editora Abril.

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