4 de abr de 2008

O DILEMA DAS CÉLULAS-TRONCO EMBRIONÁRIAS

Nos últimos meses um tema que vem ganhando grande repercussão a questão de financiamento federal às pesquisas realizadas com a utilização de células-tronco de embriões humanos. Novamente o desenvolvimento da genética nos coloca frente às questões morais profundas, com o poder de modificar (ou seria atualizar) conceitos defendidos pelos espíritas.

Células-tronco encontradas em embriões com até uma semana de vida, aparentemente constituem o material perfeito para que cientistas desenvolvam novos tratamentos para diversos tipos de doenças. As células-tronco embrionárias são células-mestre que podem se especializar e formar diferentes tipos de células e tecidos no organismo. Ou seja, a partir das células-tronco se formam outros tipos de células especializadas e presentes em diferentes tecidos do corpo humano. Devido a essa característica elas oferecem o potencial de regenerar órgãos ou tecidos lesados. O problema é que ao se extrair as células-tronco os embriões são mortos.
Os cientistas estão desenvolvendo técnicas onde é possível direcionar o crescimentos das células-troncos em células especializadas desejadas. Assim, para diferentes tratamentos seriam desenvolvidas, a partir das células-tronco originais, células sanguíneas, pancreáticas, nervosas etc. Essas novas células sadias seriam implantadas em pacientes receptores com diversos problemas. A esperança aqui é que as “novas” células (desenvolvidas em laboratório a partir das células-tronco) atuem terapeuticamente no receptor tratando doenças tais como Alzheimer, Parkinson, diabete, enfarte, derrame e lesão na medula espinhal.

Aonde começa a vida?

Apesar dos benefícios que tais pesquisas podem trazer e a possibilidade de salvar várias vidas, as pesquisas com as células-tronco embrionárias encontram opositores. O fato de que a retirada destas células causa a morte dos embriões levantou a ira da comunidade religiosa, notadamente as de origem cristã. Afinal, o cristianismo determina que a vida começa desde a concepção, portanto, matar embriões humanos seria o mesmo que retirar vidas humanas.

No Livro dos Espíritos (LE, 344), a alma se une ao corpo "na concepção, mas ela não se completa senão no momento do nascimento. Desde o momento da concepção, o Espírito designado para habitar tal corpo a ele se liga por um laço fluídico que vai se apertando, cada vez mais, até que a criança nasça; o grito que se escapa, então, da criança, anuncia que ela se conta entre os vivos e servidores de Deus".

A posição exposta por Allan Kardec em "O Livro dos Espíritos" me parece a mais adequada. Minha interpretação de tais conceitos no Espiritismo é de que os embriões desenvolvidos para a pesquisa ou aqueles não utilizados pelos casais em processo de fertilizaçao assistida não possuem alma, sendo passíveis de destruição em prol da vida de outros. Ou seja, no âmbito da Doutrina Espírita não temos nenhuma consequência maior no fato de que vários embriões não cheguem a bom termo. Não estatriamos “matando” um ser, nem traumatizando o Espírito.
Marcelo Coimbra Régis

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