7 de mai de 2008

USP DIVULGA ESTUDO SOBRE PERFIL DOS MÉDIUNS


Estudo com 115 médiuns kardecistas de São Paulo indica que a maioria possui alto nível socio-educacional
Na literatura científica, muitas vezes os médiuns são descritos como pessoas de baixa escolaridade e renda. Sua mediunidade deve ser entendida como um "mecanismo de defesa" ou como um quadro dissociativo ou psicótico. No entanto, um estudo realizado pelo psiquiatra Alexander Moreira de Almeida com médiuns espíritas de São Paulo mostrou um perfil diferente: os médiuns apresentaram um alto nível socio-educacional e eventuais transtornos menores do que os encontrados na população em geral.

Almeida constatou que 46,5% das pessoas tinham curso superior, 76,5% eram mulheres, menos de 3% estavam desempregados, e a idade média era de 48 anos. A maioria era espírita há mais de 16 anos, vieram de famílias não-espíritas e as vivências mediúnicas começaram na infância. "Esse perfil se encaixa no último censo do IBGE, que mostra um crescimento da proporção de espíritas conforme aumenta a escolaridade da população", comenta o psiquiatra, que apresentou sua tese de doutorado à Faculdade de Medicina (FMUSP).

Os participantes do estudo atuam em nove centros espíritas kardecistas da Capital. O médico aplicou um questionário a 115 médiuns. Almeida ainda utilizou questionário que rastreia a presença de transtornos mentais e uma escala que mostra como a pessoa se relaciona em sociedade. A partir daí, foram selecionados 24 médiuns, analisados com uma entrevista psiquiátrica padrão e pelo DDIS (Dissociative Disorders Interview Schedule), um questionário que detecta transtornos dissociativos.

A escala investiga a presença de 11 sintomas importantes para o diagnóstico de esquizofrenia - vozes dialogando na sua cabeça, vozes comentando as suas ações, ter suas ações produzidas ou controladas por alguém ou algo fora de você, entre outros. "Os médiuns apresentaram, em média, quatro deles, mas a presença dos sintomas não indicou a existência de nenhuma doença mental", afirma. "Além disso, eles também apresentaram uma boa adequação social e demonstraram ter uma saúde mental melhor que a da população em geral". Não houve correlação entre freqüência de atividade mediúnica e problemas mentais ou desajuste social.

Almeida é membro do Núcleo de Estudos de Problemas Espirituais e Religiosos (Neper) do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da FMUSP. O núcleo tem como objetivo estudar as questões religiosas e espirituais segundo o enfoque científico, sem vínculo com nenhuma corrente filosófica ou religiosa.

"Durante muito tempo a Psiquiatria encarou a mediunidade como um transtorno mental", conta. "Só a partir das décadas de 50 e 60 é que houve uma mudança de mentalidade, e essas manifestações passaram a ser vistas como sendo não-patológicas quando vivenciadas dentro de uma religião." De acordo com Almeida, o último censo do IBGE mostrou que o espiritismo ocupa a quarta posição entre as religiões praticadas no Brasil, país com a maior população espírita do mundo. A tese está disponível para consultas no Portal Conhecimento.

Valéria Dias (Agência USP)

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