12 de jul de 2008

FILME FALA DO SENTIDO DA VIDA E DA FELICIDADE

Muitos adolescentes (talvez eu e você) já pensaram em sair para a escola e abandonar o barco da sociedade: queimar os documentos, abandonar pais e amigos, colégio, compromissos e, principalmente, planos. Tudo para por o pé na estrada, sem rumo, pensando em viver uma silenciosa vida de protesto contra um mundo com o qual não concordamos. No filme "Na Natureza Selvagem", inspirado na história real de Christopher McCandless (Emile Hirsch), um jovem rapaz abandona sua vida de conforto para buscar a liberdade pelos caminhos do mundo, uma viagem que o leva ao Alasca selvagem. Escrito e dirigido por Sean Penn, foi tido pela crítica norte-americana como "perturbador, envolvente e impressionante quanto belo". Não se trata, numa exceção à nossa lista de filmes selecionados, de um filme de temática espiritualista; mas fala da vida com uma profundidade que merece a recomendação.

Este é o quarto longa do também ator Sean Penn e venceu o Oscar em duas categorias (melhor ator coadjuvante e montagem). O roteiro também é assinado por Penn e se baseia no livro homônimo de não-ficção de Jon Krakauer, que conta a vida de Christopher McCandless, um rapaz que no início dos anos 1990 abandonou tudo, entregou à caridade todo o dinheiro guardado para custear seus estudos e caiu no mundo em direção ao Alasca, sem sequer avisar a família. Pode-se encarar Chistopher de duas maneiras: como um egoísta arrogante, impulsivo e mimado que fez essas escolhas para agredir seus pais ou como uma espécie de herói romântico.

Em seus escritos, como um diário, Chistopher enfatiza o que há de belo na natureza, rejeitando os bens materiais e se autodefinindo como "viajante estético". Adotando o pseudônimo de Alexander Supertramp, o rapaz desistiu de ter documentos, dinheiro e residência fixa. Fez de tudo para não ser encontrado por sua família, vivendo em plena liberdade, seguindo textos de escritores como Leon Tolstói, Henry David Thoreau e Jack London. Em seu caminho, o personagem faz alguns amigos, como um casal de hippies; um fazendeiro; uma garota por quem se interessa e um viúvo solitário, que vê nele o neto que nunca teve. Para conferir autenticidade, muitas das cenas foram rodadas nos lugares por onde Chris passou realmente. Depois de hesitar por dez anos, a família McCandless concordou em dar o seu aval à produção.

Doloroso e verdadeiro, o roteiro traz a realidade da busca pelo sentido da vida e fala sobre a dor da solidão. E toca quando o personagem, num momento extremo, conclui que "a verdadeira felicidade tem que ser compartilhada". Veja o trailer abaixo.

Ficha Técnica - Duração: 140 minutos - Ano de Lançamento (EUA): 2007 - Direção: Sean Penn - Roteiro: Sean Penn, baseado em livro de Jon Krakauer - Música: Michael Brook, Kaki King e Eddie Vedder - Elenco : Emile Hirsch (Christopher McCandless)Marcia Gay Harden (Billie McCandless)William Hurt (Walt McCandless) Jena Malone (Carine McCandless)

4 Comentários:

Marina disse...

Só assistindo pra perceber o quanto é maravilhoso! Quem não gostar num tem bom gosto!

Mônica disse...

Achei o filme bastante forte, fiquei com ele na cabeça o dia todo. Apesar de parecer que é coisa de adolescente (largar tudo e sair por aí se aventurando), na verdade a profundidade da história está na busca interior que ele faz quando sai daquilo que seria previsto para sua vida - e para a de todos nós - não apenas como uma revolta contra a sociedade ou seus pais, mas sim tentando se libertar das próprias angústias e dúvidas (que assolam tantos de nós hoje em dia). Valores que já não servem mais, excessos materiais, hipocrisia e repetição de padrões ultrapassados. Tanto que se compra, se vende, e as pessoas continuam deprimidas. Nunca se consumiu tanto anti-depressivo como nos dias atuais. Já não está na hora de uma mudança de paradigma? Viver de maneira menos consumista, menos competitiva, menos personalista? Acho que o filme é muito importante porque nos faz refletir sobre tudo isso...

Márcio Assis disse...

Ganhei o livro de presente de um amigo Canadense quando estava saindo do Vietnã e indo pra China. Coloquei ele na mochila, mas só fui ler quando estava atravessando a Sibéria. Não consegui desgrudar o olho do livro até que terminasse. E quando acabei de ler, a história não saia da minha cabeça. Não só os aventureiros de coração, mas também quem gosta de analisar o meio em que vive, que entende o que digo. Mas se você consome e engole tudo que te jogam goela abaixo, se você se esforça para estar nos padrões de beleza e status da tua sociedade, com certeza não vai apreciar e muito menos entender o verdadeiro espírito dessa história real, ela é forte! Perguntaram ai em cima o nome, O livro chama-se Into the Wild, do John Krakauer, que é repórter da National Geographic e usou o diário real do Christofer Mccandles pra contar a história dele. Achei fantástico o livro, e quando fiquei sabendo que ia sair o filme dirigido pelo Sean Pen com Emile Hirsch achei melhor ainda, eles são muito bons. Assim que estreou nos US eu baixei ele, e pela primeira vez na história um filme consegue ser melhor que o livro, que já é muito bom. Ao terminar de assistir da vontade de colocar a mochila nas costas e sair sem rumo novamente pelo planeta... Sem contar com as indagações fundamentas que ele coloca sobre a sociedade e também a vida. Se você não gostar, não tem problema, opinião é pessoal, mas o azar é seu. Só acho que você deveria rever teus conceitos. Ou melhor, faz o seguinte, bota sua roupa de marca, seu tênis ultima moda, seu mega ultra col blackberry e volte pro shopping pra desfilar e paquerar vitrines, quem sabe você não consegue até uma foto pra sair numa coluna social. Curta a vida porque a vida é curta, e a felicidade pra ser completa tem que ser compartilhada...

Johnny disse...

Se você não gostar do filme ( por achar parado, achar que deve ser encurtado ) realmente não possui nenhuma noção do que é a vida na verdade... Ou parte dela. Esse filme é uma reflexão pura de um ser humano procurando as suas origens. Junto com o filme "incrivelmente perturbador" existe Edie Veder, vocalista do Pearl Jam, provavelmente fazendo um dos álbuns mais emocionantes e perfeitos de sua vida. Destaque especial para o final, quando somos informados, através de uma foto emocionante (eu e minha namorada choramos quando vimos), que era uma história real.

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