27 de jul de 2008

PAIS E FILHOS: ESPÍRITOS QUE SE AJUDAM

“Deus do céu que saudade é essa???!!! Como pode ser tão dolorosa assim!! Tento melhorar.. Leio, busco entender... mas aí vem a saudadeeeeeee, e pronto! Parece que esqueço tudo que aprendi.. Me ajuda por favor! Preciso aprender a sofrer menos pra deixar ele VOAR livremente, sem se prender por aqui nessa minha dor. As vezes fico me culpando, martirizando.. é como se ele quisesse mesmo fazer um vôo e meu sofrimento fosse como espinhos que o prendessem .. Não quero ficar assimmmmm. Me ajuda por favorrrrr .. tá doendo demaisss !!!!!!! Preciso reaprender a viver. Tive tanta tanta força e fé pra ajudá-lo a lutar contra um câncer tão violento como foi o dele... Naquele tempo eu era a própria fé em forma de gente! Mesmo ele passando por tudo aquilo, eu conseguia fazer com que ele ficasse bem, sabe! No hospital ele era um exemplo de garra e determinação! E todos diziam que essa força, era eu que passava pra ele.. Eu sei que não era eu.. Mas eu conseguia fazer com que ele pudesse ficar bem e confiante.. E agora, é como se eu tivesse falhado. Não sei como ele está enfrentando tudo isso.. Seu nome é MICHEL, ele fez a viagem dia 17 de janeiro desse ano (2008).. Há seis meses eu estou nesse vazio.. nessa fraqueza... Antes tinha força porque ele estava aqui.. agora que se foi.. minhas forças foram junto...” Eliane (da Comunidade Partida e Chegada)

Todos sabemos que o sofrimento dos pais que perdem um filho é absolutamente diferente do de outras pessoas. A partida de um filho representa perda em muitos níveis, inclusive a morte dos sonhos e aspirações. Tais sonhos e aspirações caem num vazio sem fim de promessas não-realizadas e desesperança. Mesmo após terminar o processo do sofrimento e começarem a cicatrizar as feridas, o vazio não se fecha completamente. Eliane, muitos pais e mães nos chegam com raiva de Deus. Eles vêem a morte como forma de punição e se perguntam como um Deus de amor pode ter semelhante atitude. A experiência nos ensina que, nesses momentos, a palavra mais sábia pode soar vazia. Portanto, nos resta ser solidário, embora ressaltando que a crença na continuidade da vida demonstra que não existe um Deus vingativo e punitivo.

Todos os pais devem iniciar o caminho da recuperação encarando de frente as diversas fases do sofrimento, come­çando pelo choque e passando pela negação e a raiva. Muitas vezes os pais têm raiva de todos. Olham para os filhos de outras pessoas e não conseguem entender por que ainda estão vivos e o seu não. Um dia sentem-se melhores e dispostos; no outro, en­tram em desespero profundo. Muitos tentam acelerar o pro­cesso de sofrimento, pensando que assim não doeria tanto, mas estão apenas prolongando a agonia e a dor.

Sofrer a morte de um filho é um processo que destroça o coração. É essencial que tenhamos paciência, que não nos precipitemos. Não há um plano a seguir, nenhum calendário que ajude a controlar o desaparecimento da dor. Cada um se recupera de maneira diferente, num ritmo próprio. Com o tempo, o pai e a mãe talvez se dêem conta de que a intensidade da dor pela morte do filho começa a ceder. No entanto, os pais jamais se recuperam totalmente dessa morte. Apenas encontram maneiras de sobreviver a ela. Aqui no blog temos inúmeras histórias, nas quais eles descre­vem sua dor, revelando como os sonhos que tinham para os filhos foram destruídos. Alguns foram se recuperando e puderam ajudar outros na mesma situação. Outros se recolheram em si mesmos e encontraram uma força espiritual interior que jamais suspeitaram que tivessem.

Esses pais relatam que agora têm uma ligação muito mais forte com Deus e falam como o relacionamento com os filhos deu-lhes a chance de aprender sobre o amor. Uma história, como vê, exatamente oposta à sua, Eliane. Mas o importante é saber que o retorno de cada um de nós a esta Terra tem objetivos bastante definidos. Quando esse objetivo é cum­prido, partimos. Algumas almas necessitam viver uma vida longa, enquanto outras precisam apenas de uma experiência breve, antes de retornar a seu lar espiritual no céu. A escolha é feita antes de encarnarmos em nosso corpo físico. Quando conseguimos olhar a vida dessa maneira, aceitando que o tempo e o espaço são dimensões terrenas e que somos seres eternos, podemos começar a entender a natureza da vida e da morte com muito maior clareza.

Seu filho (e muito provavelmente, também você) esboçou antes de reencarnar esta trajetória de vida. Por alguma razão ele teve que passar por esta experiência, mas contou com a sorte de tê-la como mãe, com toda sua força e fé, que tanto o ajudaram nos piores momentos. Mas pense que também você, de alguma maneira, tivesse ou tenha aceitado tal provação, somente para estar perto dele e cumprir este papel. Isto explica, de certa forma, tamanha dor. A dor de quem muito ama e gostaria de fazer mais. Mas nossas existências são feitas de estágios, de momentos, que costumamos chamar de “vidas”. Este momento da longa história de vocês passou e teve a mais alta nota. E virão outros e outros, nos quais vocês estarão ainda mais ligados e solidários, num amor eterno, como eterno somos todos nós : espíritos aprendizes.
Não te direi como eliminar esta sensação de perda, mas tenha em mente a seguinte imagem: seu filho ainda existe em outro plano e, embora acredite no contrário (que deve ajudá-lo), pode estar certa que ele estará sempre por perto, retribuindo e reconhecendo todo o apoio que lhe deu em sua jornada. Sinta esta energia e se fortaleça, assim como fez com ele.

1 Comentário:

Eliane disse...

Marcos, que palavras são essas? POXAAAAAAAAH !!!!!!! Nao sei como vc conseguiu.. vc falou direto à minh'alma..me senti ''afagada'' obrigada por essa energia q vc irradiou! A saudade e a dor andam juntas, isso é fato.. mas o amor é maior.. e qdo ouvimos coisas assim, é como se pudessemos alimentar nosso amor, e ele consegue ficar forte novamente e com isso a saudade fica mais facil d ser tolerada! Obrigada! do fundo desse coração de mãe!

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