14 de ago de 2008

NUNCA MAIS É MUITO TEMPO ...


"Nunca mais é muito tempo e o que levamos de nós nem cabe e é pra sempre. Gostaria de dividir com outras pessoas esse meu sentimento, tão parecido com o de tantos outros amigos que encontrei por esse Blog. Um sentimento tão universal, que nessas horas nos sentimos ainda mais irmãos. Assim como tantos por aqui, fui tomada pela saudade, sacudida, arrancada de minhas raízes mais profundas após a perda de uma pessoa que para mim ainda é única, meu PAI. Fui tomada pelo inconformismo, que me levou posteriormente a uma busca por respostas, ainda permaneço nessa busca constante, de perguntas a mim mesma, a minha sanidade por vezes e por outras quando me atrevo a Deus.

No auge do meu sofrimento e revolta, me inconformava por ter perdido a companhia desse que era o meu maior amigo, meu confidente, meu amor, meu irmão e por fim, meu filho... me doía lembrar de seu sofrimento e me enlouquecia, como em um pesadelo constante a lembrança de seus últimos dias, de seu sofrimento, me sentia impotente, culpada por lembrar-me da esperança, no início de seu tratamento, quando acreditávamos, que venceríamos esse câncer, descoberto assim tão derrepente. Lembrava-me desse sentimento de acreditar que nada de mal acontecer ia a ele, lembrava-me da força que tinha para encorajá-lo e me sentia pequena perante a perda inevitável.

Foi quando me dei conta, do tamanho da sua ausência, foi quando me dei conta do tamanho de sua presença!!!! A dor que sinto hoje por essa distância cruel e impiedosa e tão grande quanto a presença dele em toda minha vida, só sinto essa ausência angustiante por que tive sua presença tão confortante por tantos anos de minha vida, só me desespero ao lembrar de sua partida e, por vezes, não acreditar nela. Porque sua vida ao meu lado foi construída por sentimentos que tempo e nem distância nenhuma conseguem amenizar. Sou então uma felizarda, uma filha abençoada, filha de Deus e de meu pai, porque tive como pai alguém tão especial, tão importante, que me deixou assim, atordoada por sua falta, alguém insubstituível que me deixou assim tão marcada por sua presença a meu lado, presença tão forte e tão real que ainda faz parte de mim, como o ar que respiro, como tudo que eu vejo e sinto.

Meu pai esta comigo, em um lugar que ninguém, nunca, poderá tira-lo, da minha alma, da minha vida!!! Devo então, somente agradecer a Deus a oportunidade de ter tido em minha vida esse presente, e agradecer a compreensão que tenho de que sofro, porque tive o que perder. Poderia ter passado por essa existência sem nunca saber o que foi ser amada por alguém tão especial, sem saber o que foi amar a um pai, como eu amo meu pai, sem ter tido prazer de ter dividido parte de minha existência com esse pai que me acompanhara por toda a eternidade. Tive ainda a oportunidade de retribuir um pouco, perto de tanto que ele fez por mim em toda sua vida, cuidando dele em sua doença, sendo sua amiga e companheira em sua saúde e nos bons momentos.

Sei que nossa missão juntos ainda não terminou, ainda me resta ampará-lo nessa nova caminhada, assim como fiz nos seus últimos meses, assim como ele me amparou em todos meus anos de vida. Me resta pedir e orar a bondade de Deus, que faça por ele agora aquilo que não está mais ao meu alcance, cuidando e amparando seu coração. Me resta pedir a Deus, que a saudade não me tire a sanidade para que eu possa continuar dando-lhe forças daqui, e não o enlouquecendo com a angustia da saudade e de perguntas e duvidas intermináveis. Que eu possa ser Luz, como ele sempre foi Luz e sempre será para mim e que ele ainda possa buscar em mim o consolo e o conforto que sempre encontrou, nesse que mais que sua filha, foi designada por Deus sua companheira de jornada. Meu pai Almir de Oliveira, faleceu de câncer generalizado dia 21 de marco de 2006, aos 66 anos. Um grande abraço a todos, e aqueles que assim como eu sofrem a perda de alguém tão especial, reflitam, e não se deixem tomar pelo desespero, nessas horas permitam-se receber ajuda, pecam a Deus por paz, por vocês e por aqueles que se foram mas ainda precisam de nos." UM PAI SEGURA A MÃO DE UM FILHO POR POUCO TEMPO EM SUA VIDA, MAS SEU CORACÃO ELE NÃO SÓ SEGURA COMO O CARREGA PARA SEMPRE".

Adriana de Oliveira

10 Comentários:

Partida e Chegada disse...

Não tenho o que acrescentar às susa palavras, além de agradecer, e muito, sua participação. Tocante e delicado, teu depoimento nos faz ver de uma maneira muito particular os mistérios da vida; as dores que sofremos e, principalmente, a superação. Um abraço.

Sarah disse...

Simplesmente Lindo!!!
Fiquei emocionada com suas palavras de carinho para seu pai,e tenho certeza que ele sabe do tamanho amor que voce o tem e vice-versa.
Felizardos sao as pessoas que tem, esse amor mutuo,pois por motivos que as vezes desconhecemos existem muitos pais e filhos que nao tem esse convivio tao harmonico.
Abraços Fraternos!!!
Sarah

Adriana disse...

Oi Sarah.....mto obrigada pelas palavras e fico feliz que tenha gostado. Realmente acredito que meu amor por ele o alcança aonde quer que ele esteja, pois sinto de verdade que esse sentimento nunca se afastou de nós, e também nunca permitiu que nos afastasemos.
Muito obrigada mesmo pelo carinho. Um grande abraço.
Adriana de Oliveira.

Jackeline Sena disse...

Me emocionei muito quando li,cada palavra parece que tinha sido escrita por mim ou p/mim.Meu pai também faleceu de cancer e a dor da saudade ainda vibra em mim.
Oro muito por ele e sei que nosso amor é imortal...e em breve vamos nos reecontrar.
Obrigada.

DOÑA JAVIERA LUNA disse...

Cara Adriana: Como tenho sentido em mim suas palavras, que poderiam ter sido as minhas em todo momento. Aconteceu comigo sua mesma experiência de dor. Quando meu pai foi embora, o 23/12/2004, pareceu que o tempo ficou suspenso durante muito tempo, e as experiências de vida se transformaram apenas em uma dor silenciosa e opresiva que ficou tomando conta da minha vida. Tinha estado eu acompanhando seu martírio( e o meu) durante 18 meses. No meu costume de ve-lo dia a dia na minha vida, forte, amoroso, peocupado, generoso, não me preparou a vida para refletir em que ele podia ir embora. Simplesmente com muito candor pensei que ele estaria sempre aí. Nós, seus filhos, simplemente não para-mos nunca para pensar que o mundo podía continuar existindo sem ele por perto. Quado aconteceu chegou a dor e permaneceu em nós, como um punho grande incrustado no meio do peito. Ali duvidei de tudo, pedi a gritos día tras día que Deus me desse um pouco de consolo. Não sinto culpa por isso. Somos o que somos e só pode falar de esta experiência de dor quem a tenha sentido. Após 2 anos chegou o consolo sob a forma de uma psicóloga, canalizadora, a travéz da qual ele se comunicou comigo. Mesmo acreditando na reencarnação, meu assombro e maravilha não pode se explicar.Sei que era ele. Conheço seus códigos. Fui levada a esta experiência de consolo, imagino que porque era a unica forma de voltar à vida e encontrar uma lógica em tudo isto. Os mistérios do além são muito grandes e as vezes do lado de lá sentem compaixão por nós e nossos sofrimentos táo humanos.Meu pai dizia não acreditar em outra vida porém ele era "um justo", então deve estar em aquela outra dimensão estudando, como ele disse na comunicação, para ajudar outros depois acredito.
Um beijo.

DOÑA JAVIERA LUNA disse...

Cara Adriana: Como tenho sentido em mim suas palavras, que poderiam ter sido as minhas em todo momento. Aconteceu comigo sua mesma experiência de dor. Quando meu pai foi embora, o 23/12/2004, pareceu que o tempo ficou suspenso durante muito tempo, e as experiências de vida se transformaram apenas em uma dor silenciosa e opresiva que ficou tomando conta da minha vida. Tinha estado eu acompanhando seu martírio( e o meu) durante 18 meses. No meu costume de ve-lo dia a dia na minha vida, forte, amoroso, peocupado, generoso, não me preparou a vida para refletir em que ele podia ir embora. Simplesmente com muito candor pensei que ele estaria sempre aí. Nós, seus filhos, simplemente não para-mos nunca para pensar que o mundo podía continuar existindo sem ele por perto. Quado aconteceu chegou a dor e permaneceu em nós, como um punho grande incrustado no meio do peito. Ali duvidei de tudo, pedi a gritos día tras día que Deus me desse um pouco de consolo. Não sinto culpa por isso. Somos o que somos e só pode falar de esta experiência de dor quem a tenha sentido. Após 2 anos chegou o consolo sob a forma de uma psicóloga, canalizadora, a travéz da qual ele se comunicou comigo. Mesmo acreditando na reencarnação, meu assombro e maravilha não pode se explicar.Sei que era ele. Conheço seus códigos. Fui levada a esta experiência de consolo, imagino que porque era a unica forma de voltar à vida e encontrar uma lógica em tudo isto. Os mistérios do além são muito grandes e as vezes do lado de lá sentem compaixão por nós e nossos sofrimentos táo humanos.Meu pai dizia não acreditar em outra vida porém ele era "um justo", então deve estar em aquela outra dimensão estudando, como ele disse na comunicação, para ajudar outros depois acredito.
Um beijo.

Adriana disse...

Olá Jackeline, fiquei feliz por sua resposta a essa minha carta ao meu pai, e espero realmente que essas palavras possam também se fazerem suas, para assim te acalmar o coração, pois tudo parece um pouco mais sereno quando conseguimos compreender a nossa dor. Espero que voce consiga passar pela mesma trasformação que passei, embora a saudade me faça companhia permanente e dolorosa, hoje suponho pelo menos entender o tamanho da minha dor e assim tentar a cada dia lidar melhor com essa ausencia. Espero que voce encontre a paz, assim como seu pai possa se fortalecer em voce. Se desejar pode me contatar pelo e'mail pessoal adriauau@ig.com.br. Um grande abraço.
Adriana de Oliveira.

Adriana disse...

Cara Javiera, adorei seu comentario, e fiquei intrigada com a mensagem que recebeu de seu pai. Assim como voce, tambem espero pelo dia que me será permitido receber esse presente. Sinto provavelmente o mesmo que sentiu perante a perda de seu pai tão amado, e certamente por isso nos identificamos com nossa experiencia, aonde a dor nos revela tão iguais e tão frageis, perante essa inevitavél ausencia. Para mim que também tinha a imagem de meu pai como um homem forte, também foi pega de surpresa ao me deparar incredula com sua morte, e me perguntava como poderia ele morrer...como disse em minha carta, sua presença sempre foi tão forte em minha vida, que ainda hoje, dois anos depois, quase tres, ainda o sinto como se ele tivess e passado comigo ainda essa manhã...tem horas que desejo, como uma criança, que não pode compreender a complexidade dos fatos, simplesmente GRITAR....EU QUERO MEU PAIIIIIIIII..... aonde esta meu pai????? Bom, novamente, fico feliz pelo seu contato e gostaria de poder conversar mais com voce, se assim voce quiser, me contate pelo e-mail pessoal adriauau@ig.com.br
Um forte abraco.
Adriana de Oliveira.

DOÑA JAVIERA LUNA disse...

Cara Adriana.
Me comunicarei com você pessoalmente no seu Mail. Sou chilena e lhe contarei minha experiência.
Acredite...chega o momento em que a dor é mais suportável.Mesmo assim, às vezes vou de carro e olho para o lado do carona, onde ele costumava ir, e falo "papá, te echo de menos" (papai, sinto tanto sua falta) e meus olhos enchem de lágrimas...

Anônimo disse...

ALGUÉM QUE AMEI MUITO, ME DISSE ISSO EM 1982:"NUNCA MAIS É MUITO TEMPO". VIM A SABER EM 2006, SEU FALECIMENTO, EM VIRTUDE DE UM ACIDENTE DE CARRO, EM CAMPO MOURÃO, PARANÁ. SEMPRE VOU AMÁ-LO E GUARDO COMIGO UM LIVRO NA QUAL HÁ UMA LINDA DEDICATÓRIA.ENFIM, NUNCA VOU ESQUECÊ-LO, NEM DEPOIS DE MINHA MORTE.

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