28 de abr de 2009

FLÁVIA VIVE HÁ 14 ANOS NUMA CAMA

A cama de Flávia fica no mesmo quarto dos pais. É um móvel de hospital, com laterais removíveis para facilitar o transporte. Enquanto conversamos, ela mexe os olhos, num olhar distante. Os braços são frágeis por causa da falta de movimentos. Os pés estão torcidos. A mãe, de início resistente à realização da reportagem, abraça a filha e a beija. O pai a trata como uma criança, com expressões infantis. Ela sorri.

Para driblar o calor, um aparelho de ar-condicionado, doado por um amigo, ocupa uma das paredes do cômodo. Arquimedes lembra, com amargura, da solidão vivida pela família logo após o coma da filha: “Meus amigos sumiram. As pessoas não telefonam mais”. Embora já esteja aposentado como professor universitário, ele ainda trabalha na Prefeitura. “Preciso de um local onde possa ‘espraiar’, onde conviva com as pessoas”.

A mãe fala da relação da filha com a avó, dos mimos. Um novo sorriso surge nesse momento, como se Flávia recordasse de algo. Já fora do quarto, Márcia mostra os porta-retratos dos três filhos, os outros dois são Arquimedes Júnior e Gisela, e puxa um caderno de recados da época do coma. As folhas amareladas servem de mote para contar histórias de diversas amizades.

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