5 de mai de 2009

MANIFESTAÇÃO MEDIÚNICA DO ENCARNADO

Primeiramente, vamos diferençar dois casos que se confundem com a manifestação mediúnica do encarnado. O primeiro deles é a manifestação anímica, onde a própria pessoa se libera do corpo, num fenômeno erroneamente conhecido como "desdobramento" e se manifesta psicofonicamente como se fosse uma Entidade distinta, usando os recursos do seu próprio aparelho orgânico. O segundo caso é dito manifestação subconsciente porque a pessoa entra num transe simples e ela mesma, sem perceber que está transmitindo idéias próprias, manifesta-se como se fora um desencarnado.

Em nenhum desses dois casos há a presença de qualquer outra personalidade, quer de pessoa encarnada, quer de desencarnado.

O que, de fato, se conhece como manifestação mediúnica do encarnado é um fenômeno em que o médium em vez de servir como "aparelho" para que, por seu intermédio, tenhamos a comunicação de um Espírito qualquer, por ele, em condições semelhantes, quem se apresenta é alguém vivendo como nós, na Terra, por algum processo de liberação do seu corpo, encontrando meio, através da mediunidade desta pessoa para se comunicar com os assistentes.

Classificação

Kardec aborda o assunto no Livro dos Médiuns, capítulo XIX e Alexej Akzacof dedica um capítulo do seu livro Animismus und Spiritismus ao assunto, relatando uma série de casos para análise. Todavia, foi Ernesto Bozzano que, resumindo o assunto, fez a seguinte classificação deste fenômeno, num trabalho intitulado Estudo dos Fenômenos Anímicos e Mediúnicos, dividindo-o nos seguintes grupos:

1. Mensagens inconscientemente transmitidas ao médium;

1.1. - por pessoas durante o sono;

1.2. - por pessoas em estado de vigília;

1.3. - por pessoas em processo de bilocação;

2. - Mensagens obtidas por vontade exclusiva do médium, no caso, com clarividência, clariaudiência, telemnésia e outros fenômenos simultâneos;

3. - Mensagens em que o manifestante expressa sua vontade;

4. - Manifestação do moribundo no momento agônico;

5. - Mensagens intervivos com interferência de uma Entidade espiritual.

6. - Outros tipos não estudados.

Não se torna necessário destaque a cada caso, já que, pela sua própria conceituação, ela diz o que cada um deles representa.

No Livro "Animisme ou Spiritisme" Bozzano já apresenta, de forma um pouco resumida, o mesmo assunto o que nos leva a admitir que ele tenha ampliado a matéria, incluindo casos de outros autores e citando ocorrências diversas para exemplificar sua exposição. São seus destaques os casos apresentados por William Thomas Stead onde fatos psicográficos denotam que, na maioria dos acontecimentos, os manifestantes nem sempre estão conscientes da manifestação e que, posteriormente, comprova-se o fato por decorrência das informações prestadas.

Kardec abordando o assunto no capítulo XIX do Livro dos Médiuns, pelo seu conteúdo, apresenta respostas que lhe foram dada e do que se poderia admitir a priori é que estes fenômenos só ocorrem por psicofonia e psicografia, no entanto, a resposta dada pela Entidade ao codificador esclarece que tal manifestação ocorre como se o encarnado estivesse na condição de Espírito livre e não por processos anímicos, como no caso da telepatia e na transmissão do pensamento, o que nos leva a admitir que ele possa ocorrer em todos os casos mediúnicos.

Um outro esclarecimento prestado pela Entidade dirime dúvida a respeito dos que, ao interpretarem o fenômeno da comunicação mediúnica seja ela meramente influência do próprio médium e que, no caso da comunicação de outrem não haja o fenômeno por essa natureza, mas, como sendo puramente anímico, ou seja, transmissão do pensamento emitido pelo manifestante e recebido pelo aludido médium.

Então, os detratores da doutrina resolveram atribuir a fenômenos idênticos toda e qualquer manifestação do morto, por isso, torna-se importante destacar o presente estudo para que se tenha uma posição correta da fenomenologia em si.

Estudo geral

Akzacof intitula de "escrita automática" a psicografia em si e apresenta casos diversos em que o comunicante seja um encarnado, mostrando a diferença entre este que outro fenômeno, onde, no caso do "morto" pode-se identificar sua personalidade, tal como no da manifestação de um encarnado, contudo, usando a sua individualidade terrena que possuía antes do seu desenlace.

Então, trata-se, pois, da identificação em ambos os casos, evidenciando que se trata de um ou de outro caso segundo as evidências.

Kardec ainda nos dá referência em artigos a depoimentos prestados pelo Dr. Maximillien Perty, suíço seu contemporâneo, possivelmente ex-colega da Escola Pestalozzi, segundo o qual ele evidencia a comunicação de uma sua conhecida que, através da médium, escreve sua mensagem usando sua letra e não a da médium. Ele testou, comprovando o fato.

A médium era uma professora conhecida de Perty e a comunicante fora sua aluna (ou ainda o era, na época) e que alega que ainda não fizera o trabalho escolar de casa, àquela hora.

A médium estava esperando mensagem do seu falecido marido e, em vez dela, veio a da aluna. Ela própria duvidara da comunicação, atribuindo-a a alguma Entidade brincalhona, por isso, junto com o Dr. Perty, resolvera apurar a veracidade do fato. Naquele momento, a aluna comunicante participava de uma festa que se prolongara até tarde e, de fato, ela estava muito preocupada por não ter feito ainda a lição. Pelo seu depoimento, ela se recolhera para cumprir o seu dever e, de repente, depara-se com a imagem da professora e lhe transmite o fato, só não entendia porque a professora escrevera o que ela lhe dizia.

Este é um caso típico de comunicação em estado de vigília, embora muitos pensem que tal não seja possível.

Olympio Campos, que fazia as vezes de meu irmão, de uma feita, caminhava pela rua e seu viu cercado por alguns colegas, em outro lugar distinto, falando com eles. Posteriormente soube que, naquele local, de fato, o grupo se reunia e, de repente, um médium dá passividade permitindo que ele se comunique, confirmando aquilo que vira e, inclusive, o que houvera dito ao grupo. Olympio só não percebera que sua comunicação ocorria pelo processo psicofônico através de um médium. Sua sensação era a de que estava falando diretamente para a turma.

Há, ainda, um caso curioso de telemnésia, contado por Hyslop.

Como todos sabem, mnésia quer dizer "memória" em grego, daí, o termo "amnésia" definir o esquecimento dos arquivos da memória. E "tele" à distância. Segundo Hyslop. Esta memória pode ser transmitida e lida por terceiros, sem ser por telepatia que é idêntico ao radar. Na telemnésia a leitura se dá sem que o emissor esteja pensando no assunto para que o telepata possa ler.

O caso contado relata um médium que, por vontade própria, resolve ler o pensamento de um dos presentes e, em vez de ter contacto com o conhecimento do que o presente estava imaginando, entra em transe tipo mediúnico e transmite um assunto que o outro estava estudando, incluindo as hipóteses que este formulou, mas, que, no momento, não estava presente em sua mente.

Aqui, todavia, embora seja um dos casos estudados por Bozzano, eu, particularmente, classifica-lo-ia como anímico, pois não me parece ter havido o processo da manifestação do outro que estaria presente à reunião e, para seu espanto, o médium transmite algo que ele não estava pensando, todavia, que estava em seu consciente, porque era assunto de estudo.

No caso William Stead, inglês de Embleton, pode-se dizer que, durante muito tempo, dedicou-se a pesquisas correlatas com manifestações de encarnados e ele próprio, vindo a falecer no acidente de afundamento do Titanic em abril de 1912, teria vindo comunicar a seus familiares, no momento agônico, que estava embarcado no navio e que este havia sofrido sério acidente que o estava levando ao afundamento. Conta cenas do que estava ocorrendo a sua volta e pressente que seja seu fim. De repente, o médium entra em convulsão e seu guia se manifesta explicando que o comunicante acabara de passar para a vida espiritual, motivo por que perdera o contacto com o médium.

Há um caso atribuído a Akzacof, mas que não está incluído em seu livro e que exemplifica a influência dos guias espirituais na manifestação mediúnica de um encarnado que precisava prestar esclarecimentos acerca de determinado assunto.

A narrativa nos dá conta de uma pessoa que, estando muito mal, vítima de um acidente num local sem socorro, libera-se momentaneamente do corpo e é trazida a uma sessão mediúnica para se manifestar por psicofonia, dando o local do acidente e do seu estado de semiconsciência. Ele era alpinista e resolvera ir buscar um material que esquecera em determinado lugar, onde fora com colegas, a passeio. Sozinho, todavia, despencou-se do barranco e ninguém sabia que ele houvera ido para lá. E lá ficaria para sempre.

Evidentemente, os que receberam esta comunicação prepararam uma equipe de socorro e encontraram o comunicante tal como houvera informado. Mas, como
a vítima não dominava a técnica da intercomunicação, seus amigos espirituais resolveram ajudá-lo para que ele pudesse ser socorrido. Ainda havia muito que viver.

A descrição dá o nome das pessoas envolvidas e o relato é complementado por uma série de conclusões a respeito do fenômeno, tido inédito pelos participantes.

Do grupo estudado por William Crookes, destacamos os casos descritos por Florence Marryat, sua amiga pessoal que relata os fenômenos de Katie King através da médium Florence Cook, no livro There is no Death onde ela própria declara que fora sujet dos fenômenos mediúnicos mais estranhos, onde os comunicantes não eram desencarnados, pelo contrário, eram pessoas "vivas" suas conhecidas que, vinham, através dela, dar as mais inusitadas comunicações.

No seu relato ainda constam casos de pessoas estranhas que lhe vinham dar informações as quais ela passava para o grupo de pesquisa a fim de comprová-las, chegando à conclusão de que, de fato, os encarnados também podem se comunicar mediunicamente com outras pessoas.

O curioso da sua narrativa é que, aqui, as comunicações eram dadas através de tiptologia; ela segurava um pequeno bastão que ia batendo e outra pessoa ia contando as batidas correspondendo cada uma à ordem alfabética das letras. Onde parasse, a letra era assinalada por uma outra pessoa e a seqüência delas formava palavras inesperadas e frases perfeitas.

Pelos seus depoimentos, fica evidenciado que o encarnado pode se comunicar mediunicamente por diversos processos, não estando restrito ao psicofônico nem ao psicográfico.

No caso de bilocação, há exemplos históricos, como o de Antonio de Pádua, em que o dito santo deixa seu corpo em Assis - Itália - e aparece a fiéis em outros locais. Um exemplo típico de materialização do espírito de um encarnado, mais uma vez levando-nos a admitir que o fenômeno pode ocorrer em todas as gamas do mediunismo.

Neste caso, o que se presume é que haja um médium de efeitos físicos cedendo energia ectoplásmica - senão o próprio transportado - para que a aparição possa ocorrer porque, em se tratando de visão geral, não se explica que seja caso de vidência mediúnica porque esta só acontece para os que tenham este tipo de mediunidade.

Análise física do fenômeno

Evidentemente, nada ocorre na dita natureza sem obedecer às leis universais imutáveis.

No caso da manifestação mediúnica do "morto" é que se tenha em vista que o Espírito atue em nosso meio sob os diversos aspectos devidamente estudados por Kardec, quer nos fenômenos personalísticos, quer nos ectoplásmicos.

Quanto a manifestações de encarnados, evidentemente, embora, sob aspecto mediúnico, o fenômeno seja o mesmo, pelo aspecto físico ele é bem diferente, senão, vejamos:

Primeiramente, o Espírito encarnado tem que possuir uma propriedade de desvinculamento do corpo sem ruptura do dito laço prateado, hoje considerado como sendo o duplo energético de acoplamento do campo biofísico com o campo perispiritual. Coisa à qual o desencarnado não está sujeito.

Além disso, torna-se essencial que o encarnado possa se deslocar, livre do corpo, como no caso que comum e impropriamente se chama de "desdobramento" à falta de termo específico, e se manifestar no outro ambiente para o qual vá. O desencarnado, não tendo vínculo com nenhum corpo material, volita livremente por qualquer ambiente, já o encarnado está sujeito a uma série de fatores de deslocamento, inclusive de atrito dito viscoso, pois ele possui, além do perispírito - que é livre para o desencarnado - o lastro bioenergético do seu campo vital orgânico, coisa que os antigos observadores jamais imaginaram ou supuseram, mas que, sem dúvida, acontece, porque o encarnado tem uma estrutura corpórea que lhe vincula a parte perispiritual manifesta ao somático.

A coisa não é assim tão fácil de se imaginar e se pensar, supondo que o Espírito possa sair do seu corpo sem romper seus ligamentos ou liames corpóreos com a mesma facilidade em que o passageiro desembarca de uma condução.

À falta de qualquer estudo neste campo, ouso sugerir uma série de coisas plausíveis, para que, quando se formar alguma equipe de pesquisa que queira averiguar o fenômeno com uso de aparelhos espectrográficos, tenha uma referência de caráter científico.

A dificuldade toda, porém, é a de que o fenômeno sempre ocorre fora dos controles de pesquisa: nunca se está presente ou se supõe que alguém esteja se liberando do corpo (e não se desdobrando, feito folha de papel), no momento em que tal ocorre, salvo nos casos de condicionamento. Mas, nestes casos, geralmente, o sensitivo é induzido pelo condicionador e obedece a seu comando. Por outro lado, seria preciso que este condicionador possuísse um médium à sua disposição para tentar que o sensitivo liberado de seu corpo pudesse se manifestar através dele.

Aí, complica tudo, mas, já seria um início.

Uma outra observação importante é o fato de que, para toda esta ocorrência haverá um consumo de energia. Sabe-se, por informação prestada a W. Crookes de uma Entidade que se materializava através do médium Dunglas Home que a energia que os Espíritos usam a fim de que possam se manifestar no domínio físico de nossa existência é retirado do ectoplasma celular orgânico através da presença de um médium que permita sua "catálise" através dele, embora não tenha explicado como isso ocorra.

Admitindo-se o fato como verdade, temos que levar em conta, primeiramente, a parte em que a alma encarnada se emancipa do seu corpo; neste caso, ela pode usar seus próprios recursos comuns ao fenômeno vulgarmente dito "desdobramento". Faria parte das funções orgânicas e só ocorre no sensitivo que tenha tal propriedade.

A partir desse momento, o deslocamento desta alma é rigorosamente idêntico a todos os casos; a etapa seguinte é que nos traria a indagação: que recursos tal criatura usaria para se manifestar?

Talvez, usando certas informações, possamos entender que, embora vinculada a um corpo, nesta fase, a alma é um Espírito como outro qualquer e, neste caso, ao apresentar mediunicamente através de um sujet, use os mesmos recursos do desencarnado, consumindo energia do próprio médium que é mensurável por aparelhos espectrográficos, não só capazes de caracterizar a presença do campo espiritual do manifestante, como, ainda medir-lhe a intensidade.

Uma coisa, porém, é certa: este fenômeno consome tais energias, sem o que jamais se realizaria.

É preciso que nós, espíritas, comecemos a nos habituar com essas idéias e passarmos a nos dedicar a tais estudos, porque não será evangelizando ninguém que conseguiremos fazer chegar aos cientistas e pesquisadores de um modo geral os conhecimentos doutrinários da codificação e os ensinamentos de Jesus defendidos por Kardec.

A evangelização simples já existe há quase dois mil anos e só conseguiu afastar a Ciência da verdade em nosso campo.
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