25 de jun de 2009

PACIÊNCIA - Aline Rangel


Em momentos de crise, de conturbação em torno de si, valiosíssimo exercitar a paciência. Não se trata de assumir postura passiva diante de acontecimentos funestos, muito menos de abrir mão da responsabilidade pela ação justa no bem voltado a si ou a outrem. Mas sim de reconhecer os limites que a experiência apresenta, considerando-os como peças também importantes do quebra-cabeça cuja paisagem é um aprendizado mais difícil. A paciência ensina a confiar e aguardar, quando as iniciativas possíveis já foram tomadas, quando os recursos disponíveis já foram devidamente utilizados.

Nada fácil perceber quando se faz imprescindível agir, de forma combativa ou defensiva, protegendo a si e ao outro numa situação de risco. Sutilíssima a linha divisória entre esperar o momento apropriado e ser negligente, deixando de fazer o que é necessário para que as coisas se resolvam da melhor forma. Como saber se o acerto está em parar? Como distinguir paciência de condescendência com os próprios erros? O que indica que não se está sendo irresponsável com faltas alheias, assumindo postura viciosa ao invés de educativa acerca do mal? Como alerta a mestra Eugênia, não há respostas prontas, acabadas para dramas complexos. Mas há pistas para se reconhecer o caminho de resolução. Primeiramente, vale considerar a necessidade de autoconhecimento, a fim de que sejam percebidos os mecanismos de controle do ego. Estes não primam pela solução de conflitos, mas sim por se estar com a razão. Se, diante da dificuldade, providências foram tomadas, pessoas de confiança foram consultadas, a intuição foi ouvida, entre outras iniciativas importantes, cabe aguardar confiante e pacientemente para que o melhor aconteça. Insistir em “resolver” certas pendências acaba por reforçar o pior, em si e no outro, já que não se tem aí o desejo sincero de mudança e crescimento, mas sim a necessidade de que as coisas aconteçam de acordo com caprichos pessoais.

Paciência é conquista daqueles que não se constrangem em aprender com os próprios erros, dos que se sentem à vontade em abrir mão do controle, dos que não se importam em adiar gratificações, de quem não se incomoda em pedir ajuda, daquele que ensaia colocar-se no lugar do outro e respeitar seu ritmo, dos que não desejam “ganhar”, mas sim vencer(a si mesmo, principalmente)… Ter paciência é compreendera vida em profundidade… Seus ciclos, suas ambigüidades, suas surpresas… Ser paciente é aprender a recomeçar, deixando de lado a vergonha e a culpa… É não ter medo de admitir o equívoco e se esforçar por um dia superá-lo, com dignidade… É confiar nas infinitas possibilidades de crescimento, fazendo o que se pode e deixando a Quem Pode o milagre da transformação.

Aline Rangel

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