29 de out de 2009

TENHO QUE ACEITAR ESSAS TRISTEZAS

Reencontro-me com Joel Macieira, velho amigo que pede meu palpite sobre aparições. Digo-lhe que essas visões podem até ser mesmo manifestações dos céus. Algumas, por certo, serão consequências de mentes em conflito que recriam imagens. Não sei interpretar o fenômeno. Joel descreve para mim suas visões. Não o julgo fora da realidade. Creio que ele seja um privilegiado, pois tem o dom de vidência. Ele consegue ver espíritos. E mais: dialoga com essas imagens que podem ser tidas como realidade espiritual. Não ouso dar palpite. O mundo é mesmo muito misterioso.

Consta que em 1647 e em 1858 apareceram em Londres, na França meridional, figuras da Virgem Maria, que voltaram em 1917 e foram vistas em Fátima, Portugal, por três crianças. Os céticos afirmam que essas aparições são inventadas, a fim de que melhore o turismo para aquelas bandas.

Joel Macieira está ficando um tanto místico. Está lendo obras que relatam aparições, algumas das quais ditam mensagens que são chamadas de psicografadas. Já ouvi pessoas que são contra o espiritismo. Um religioso me disse que tudo se passa na mente dos envolvidos, sem nenhuma interferência de espíritos desencarnados. Seja como for, o fenômeno é, no mínimo, curioso. Tenho um amigo que recebeu mensagem até de meu pai e me entregou o texto. Eu mal conheci meu pai que morreu, quando eu tinha menos de sete anos. Meu pai ficou enfermo no leito. Era cardiopata. Morreu com menos de 30 anos.

Minha mãe me contava que, quando menino, eu via figuras de gente e chorava muito. Por isso, ela sempre me considerou meio doido. Com o tempo, fui aprendendo a lidar com minhas doideiras. Acho que vem daí meu jeito para escrever. Quando saí do internato, com 21 anos, fui para o Rio de Janeiro que era a capital da República. Não sabia trabalhar, mas me tornei jornalista de um vespertino chamado "Folha Carioca". Até hoje relato minha proeza.

Tudo passou. Minha mãe já morreu. Meu irmão também já morreu. E meu filho mais velho, Pedro, também já morreu. Tenho de aceitar essas tristezas. Tento conviver com minhas relembranças. Nenhum de meus mortos queridos já apareceram para mim em visões ou em espírito. Ninguém voltou a esse mundo de matéria e de sofrimento. Joel Macieira me fala que vê espíritos de seus conhecidos já falecidos. Ele tem uma técnica de chamá-los. Aprendeu na Índia. Ele morou por aquelas bandas durante quase dez anos. Afinal, nós nos despedimos. Me diz que vai tentar psicografar mensagens do além, isto é, recados enviados por espíritos de nossos conhecidos que já morreram. Vamos aguardar o resultado.

Manoel Lobato
A partir do Jornal O Tempo, de Portugal. Leia texto original
Imagem : Kris Haamer

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