15 de dez de 2009

A SUA TRISTEZA ME CAUSA MUITA DOR . . .

"Tinha o sonho de ser mãe. Engravidei, fiz tudo certo e no dia 26/10/2009 nasceu 'minha vida': um lindo garoto. Mas no dia 27/10/2009 o baque, uma cardiopatia grave que não foi detectada no pré-natal. Um dia antes da cirurgia, meu bebê sofreu cinco paradas cardíacas e faleceu, um mês e 3 dias depois da minha vida ter se transformado num mar de rosas. Desde então, não saio mais de casa. A dor é muito forte! Como posso viver sem meu guerreirinho!? (Comentário na postagem "A Dor da Perda Depende do Sentido da Morte")

Sou um mero pai adotivo de um belo garoto de 1 ano e seis meses e tudo que disser jamais se equiparará à dor experimentada por uma mãe. Por isto, uma vez mais, vou me socorrer da obra da escritora Celina Fioravanti , reproduzindo um trecho de seu livro "Como enfrentar situações de perda", em que há a mensagem de uma filha para a mãe que sofre. O texto é assinado pelo espírito de Andiara Luzia:

"Mãe, o seu pranto me assusta,. Ainda estou traumatizada por estar, tão de repente, afastada de você e do meu filhinho. Sinto também falta do meu esposo e de minhas amigas, mas o pior é ver o seu sofrimento. Há momentos em que eu posso sentir ao meu redor amparo, e quase me volto para os espíritos de luz que desejam me ajudar, conduzin­do-me para o lugar em que devo permanecer nesta nova eta­pa da minha existência. Mas sua dor, no último momento, me faz voltar as costas a eles e eu fico ainda mais uma vez perto de você, angustiada por não poder fazer nada para consolá-la.

Querida mãezinha, sua filha está viva e bem. Eu sofro muito mais por presenciar a sua dor do que por não poder estar ao seu lado. Quando desencarnei, não tinha lembran­ças do meu passado recente, sentia-me só e apavorada, pois não sabia onde estava. Aos poucos minha memória foi voltando e eu percebi que havia desencarnado. Recordei minha doença, a vontade de viver sendo afastada pela fraqueza, a entrega final do meu corpo de matéria. E curioso, mas não senti muita angústia, pois sempre acredi­tei nas vidas sucessivas, na vida como espírito e como matéria alternando-se naturalmente, como forma de apren­der. Esse entendimento não me livrou da dor de ver que os que deixei estavam sofrendo.


Nos dias que se seguiram à minha morte, fiquei vagan­do pela minha casa, pela sua, pelo meu local de trabalho. Eu estava me despedindo, estava me adaptando à minha no­va condição de ser. Em cada um desses lugares, pude ouvir e ver que era amada, pois tudo o que diziam de mim eram elogios. Eu não estava, porém, preparada para presenciar a dor dos que deixei, principalmente a sua. Essa dor cria uma massa cinzenta que me rodeia, quero fugir dela mas não consigo. Quando alguma pessoa faz uma oração pelo des­canso de minha alma, sinto alívio, até parece que a tal nuvem se afasta de mim. Mas é por pouco tempo, pois logo em seguida ouço o choro, presencio desespero e fico nova­mente isolada num espaço de pouca luz.

Já se passaram vários dias. Na contagem do tempo aí da Terra, ao todo faz dois meses que eu desencarnei. Tenho cada vez mais a consciência de que não posso ficar ao re­dor de vocês; sei que tenho que continuar, indo para onde me esperam. Mas você não me deixa ir. Entendo que não faz isso por mal, compreendo que a dor que se vive ao perder um filho é muito grande, mas, por favor, tente com­preender que esse seu sofrimento está me causando muita dor também.

Eu a escuto quando chama pelo meu nome, estou jun­to na hora em que vai ao cemitério enfeitar meu túmulo e fica quase desfalecida a chorar. Sinto quando deixa de fazer uma refeição porque está triste. É horrível para mim não poder ajudá-la nesses momentos!

Aqui onde estou é muito triste, não tenho com quem conversar, nem tenho nada para fazer. Logo eu, que era tão ativa! As horas não são contadas como aí, por isso tenho que tomar como base o tempo aí da Terra. Isso me faz ficar ainda mais tensa, pois o tempo parece que parou para mim. Tudo o que me liga à vida passada faz-me retornar às im­pressões materiais e me prende à situação indefinida em que me encontro. Lá onde me esperam há muito que fazer, bastante a aprender. Os espíritos de luz encarregados da mi­nha assistência estão sempre me chamando, mas faço como um surdo que não ouve nada e permaneço apegada a uma vida que não faz mais parte da minha realidade.


Tenho orado pela sua paz; visito-a enquanto dorme,
para lhe passar sonhos tranquilos, refazer sua estrutura, defendê-la dos espíritos sem luz que vejo tentarem se nutrir da sua desesperança. Mãezinha, você está muito in­defesa dentro dessa dor! O sofrimento intenso enfraquece a sua alma, deixando que ela se exponha a todas as almas sem luz que sugam suas energias. Como vai ser quando eu tiver que me afastar inevitavelmente de você?

André e Augusto, meu marido e meu filho, estão bem. Embora cheios de dor, um dá amparo ao outro. Nosso tem­po juntos tinha uma razão de ser que foi cumprida plena­mente, e agora eles se reorganizam para prosseguir, sem a minha presença, seu caminho evolutivo. Eles vão sentir mi­nha falta de um modo mais harmónico, e isso me dá muita força. Saber que podem prosseguir sem mim é motivo de tranquilidade para o meu espírito. Quando à noite André coloca Augusto na cama e eles fazem juntos uma oração pela minha paz, essa energia que me enviam é especial­mente importante, principalmente nesta fase indeterminada pela qual estou passando.

Assim como eu disponho de ajuda aqui, você também tem à sua disposição muitos tipos de ajuda. Esta fase, que é difícil, vai terminar quando você puder perceber que eu estou bem, viva, e isso será conseguido se você aprender aquelas coisas que nunca quis deixar que eu lhe ensinasse. Olhe, a vida não termina com a morte. Ao contrário, quem morre volta para a sua verdadeira vida, que é a vida espiri­tual. Quando isso acontece é um momento de libertação, pois o corpo que se tinha aí na Terra era material e, assim sendo, era perecível. O espírito não morre, ele só sofre processos de melhoria e, como não é matéria, não se decompõe. Agora eu estou melhor e mais inteira do que estive em qualquer momento ao seu lado. Não tenho dores, nem nenhum tipo de mal-estar físico. Só me afligem as emoções negativas que estão ligadas aos que aí deixei. É por isso que a sua dor me atinge tanto e me enfraquece.

Leia mais, assista palestras sobre assuntos espíritas e converse com pessoas que já passaram pelo que você está passando para sair desse mar de dor em que está se afogan­do. Eu quero você viva e integrada às suas atividades como sempre foi. Papai está aqui e em breve, quando eu puder en­contrá-lo, não desejo ter que lhe dizer que você está mal. Muito dessa sua ligação comigo foi concentrada pelo de­sencarne tão cedo de papai, você acabou por me fazer o centro e a única razão da sua vida. E isso não está certo, a maior razão que alguém tem para viver deve ser a sua própria vida, que é uma graça de Deus.

Se você não está conosco, deve haver uma explicação. Procure descobrir qual é, pois um espírito só desencarna quando termina sua tarefa aí na Terra. Se você está viva é porque ainda tem que fazer algo por si ou pêlos outros. Mas não caia no engano de concentrar numa outra pessoa o amor que tinha por mim. Espalhe esse amor por quantas pessoas precisem dele, indo fazer um pouco por todos os que mostrarem ter necessidade de ajuda. Isso é que é crescer.

Assim como você conseguiu vencer o apego que tinha por mim ao me deixar ir para a escola sozinha pela primeira vez, da mesma maneira que teve que superar suas incertezas quando tirei minha carteira de motorista e ganhei um carro, agora terá que me deixar seguir adiante. Compreenda que eu preciso ir, que já estou atrasada. Sua insistência no pranto e seus chamados me aprisionam. Preciso vê-la bem para poder ir em paz; faça isso por mim e terá sua filha muito mais viva e feliz do que está neste momento. Ajude-me, querida mãe! Preciso de você mais do que em qualquer mo­mento em que estivemos unidas antes.

Temos que dizer adeus, mas é um adeus temporário. Pense em tudo o que eu lhe disse agora que mais tarde, ao acordar, vai recordar apenas em parte, como se tivesse sido um sonho. Você vai acabar compreendendo por que preciso da sua ajuda. Vou colocar minha mão sobre a sua cabeça e beijá-la na fronte. Diga-me adeus, sem dor, sem choro. Logo mais estaremos de novo juntas. Este é apenas um intervalo".

A partir do livro "Como enfrentar situações de perda", de Celina Fioravanti

4 Comentários:

Vania disse...

Gostaria de pedir oração por uma amiga.O nome dela é Vania Cristina.
Ela vai ser mamãe em janeiro de 2010 de uma menininha chamada Carolina.
Mas assim, ela está muito, muito triste e acredito estar passando por muitas
dificuldades pq dificilmente a vejo sorrir...
Ela não me disse do q se trata, tbm não quero perguntar pq somos amigas de
trabalho, as vezes ela pode não se sentir à vontade em me falar mas Deus sabe
pq ela está sofrendo tanto...
..Deus conhece o seu coração e só ele é capaz de ajudá-la.
Não sei de q bençãos ela precisa mas peço q Deus à conduza e q o Espírito Santo
fale em seu coração e quem sabe, no coração das pessoas de quem ele precisa tocar.
Obrigada e Deus abençõe vocês por estarem intercedendo pelas pessoas e nos
ajudando como verdadeiros irmãos em Cristo.


Obrigada!
Silvana

(15/12/2009 15:43:03)

Vera disse...

Simplesmente muito obrigada ! De coração suas palavras só me dão a certeza do que sinto e acalenta meu coração. Espero possamos nos corresponder sempre que possível e peço a Deus que ilumine e guie sempre sua vida e seu trabalho.
De coração ...

Anônimo disse...

oi.

Anônimo disse...

Acabei de passar por esse momento sempre fechamos os olhos, o desencarne do meu Painho onde estou na busca de ler informações e orando muito para me policia e da o conforto tanto para o meu coração como principalmente para o meu Painho.

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