27 de mar de 2010

LIVROS RENDERAM MILHÕES, MAS CHICO XAVIER MORREU POBRE

O médium foi responsável por uma intensa produção literária e com sucesso de vendas. Mas Chico nunca recebeu um centavo. Ele viveu com o salário de escriturário até se aposentar.


O homem, hoje idolatrado pelos seguidores, sofreu antes de ser reconhecido. “Quem vai acreditar em mim?”, se perguntava o menino Chico. Foi uma infância difícil, na pequena cidade mineira de Pedro Leopoldo. Aos 5 anos, ficou órfão de mãe. Logo, começava a ver espíritos.

Em uma cena inédita do filme "Chico Xavier", o pequeno Chico aparece conversando com a mãe já morta.

Ele era mesmo um garoto diferente. E o pai ficou assustado. “Meu pai não concordava com as minhas informações sobre vozes que eu ouvia, e o sacerdote que me confessava era um espírito de alta elevação. Ele, então, me aconselhou a aceitar um emprego aos 10 anos de idade para meu pai, impressionado com o que eu dizia, não promovesse a minha entrada no sanatório. Então, eu me empreguei em uma fábrica de tecidos aos 10 anos de idade”, contou Chico, quando ainda era vivo.

Aos 21 anos, desacreditado, chamado de louco por muita gente, algumas vezes, Chico Xavier se recolhia e ia descansar e pensar a beira de um açude. Teria sido nesse local onde ele viu pela primeira vez o espírito de Emanuel que o acompanhou por toda vida.

Poucos meses depois do encontro com o guia espiritual, chegou às livrarias o livro que escandalizou o país: “Parnaso de além-túmulo”.

“Ele colocou no papel poemas assinados por Castro Alves, Olavo Bilac, Augusto dos Anjos, com estrofes, rimas e versos e estilos muito impressionantes”, afirma Marcel Souto Maior, biógrafo de Chico Xavier.

Era uma coletânea de 59 poemas, todos inéditos e assinados por poetas famosos e já falecidos. “Todos os jornalistas e acadêmicos da época ficaram impressionados. Por causa daquele livro, Chico virou alvo de sucessivas investigações. Como se explica isso? Ele dizia: ‘os livros não me pertencem. Eu não escrevi nada, os espíritos escreveram’”, conta Marcel.

Foi a primeira obra de uma intensa produção literária e com sucesso de vendas. Mas Chico nunca recebeu um centavo. Ele viveu com o salário de escriturário até se aposentar. Toda a renda dos direitos autorais foi para instituições espíritas.

“Os livros não me trouxeram dinheiro e nem me dão dinheiro, mas me trouxeram aquilo que eu considero muito acima do dinheiro que é a amizade de muitos amigos”, disse Chico, quando ainda era vivo.

Ele ganhou projeção nacional a partir da sua primeira e histórica participação na TV, em 1971.
No programa “Pinga-Fogo”, ele respondia perguntas de todos, jornalistas, da platéia e de convidados.

“Foi a primeira vez em que uma sessão mediúnica espírita foi transmitida e realizada dentro de um estúdio de televisão e ao vivo”, conta a antropóloga Sandra Stoll, da Universidade Federal do Paraná (UFPR) e da Universidade de São Paulo (USP).

Hoje, o Brasil é a maior potência espírita do mundo. A partir do trabalho de Chico Xavier, o espiritismo cresceu no país. “Ele tem um legado fundamental. Ele criou padrões na pratica da caridade, padrões na literatura, padrões de exercício na pratica mediúnica, o próprio ritual de exercício da prática mediúnica, especialmente a psicografia”, explica a antropóloga.

E as psicografias de Chico Xavier ajudaram até a mudar os rumos de uma história policial em Goiânia. Em um caso inédito da justiça brasileira, as mensagens do além ajudaram a inocentar o acusado do crime. A própria vítima, em mensagem psicografada, teria esclarecido: foi um acidente. O juiz aceitou as palavras do morto e absolveu o réu.

ISABELA ASSUMPÇÃO

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