27 de mar de 2010

MÉDIUM APROXIMOU CATÓLICOS E JUDEUS DO ESPIRITISMO

“Quando se vai ao túmulo de Chico Xavier, em busca de cura, você está buscando de Chico Xavier alguma coisa que é fora do campo espírita”, diz a antropóloga Sandra Stoll.

Os ônibus chegam de manhã, bem cedo. Alguns vêm de longe. Outros enfrentam sacrifícios. Mas não há semana em que eles não apareçam para uma peregrinação em Uberaba. Na caminhada pelo cemitério, todos vão lembrando daquele dia, 30 de junho de 2002, quando Chico morreu.

Foram dois dias de velório, de muita comoção e filas de quilômetros. Teve gente que esperou horas para alguns segundos de adeus. Muitas pessoas tocavam a mão direita do médium, a que ele usava para psicografar mensagens. No cortejo até o cemitério, mais de 30 mil pessoas. E o sepultamento, no início da noite.

Oito anos após a sua morte, Chico Xavier continua vivo na memória e no coração dos espíritas e de todos aqueles que viam nele um exemplo de bondade, humildade, espírito cristão. Ontem, ele era um fenômeno. Hoje, ele é um mito.

“Um santo que está no céu, olhando pela gente aqui na Terra”, aposta a aposentada Ana Maria Paulino de Jesus. “Deus lhe deu descanso eterno na glória”, reza a dona de casa Teresa Lopes, no túmulo do médium.

Descanso mesmo, talvez Chico não tenha, se for atender aos pedidos de que não param de chegar.

Isolina Aparecida Silva vende flores em frente ao cemitério. Quando Chico era vivo, mandava flores para ele, que sempre devolvia uma de presente. Agora, ela repete o gesto com os visitantes. E se encarrega de manter o túmulo do velho amigo limpo e enfeitado.

A florista revela mais um mistério sem explicação. Gotas d’água escorrem do busto de Chico. Isso acontece sempre que alguém toca, com o dedo, o bronze, já manchado pela umidade.

A florista afirma que a água é poderosa e já curou uma dor de cabeça que ela sentia. “Para mim, é uma água benta, uma água sagrada”, afirma Isolina.

Para a antropóloga Sandra Stoll, da Universidade Federal do Paraná (UFPR) e da Universidade de São Paulo (USP), que estudou a vida de Chico Xavier, o que acontece no cemitério é uma mistura entre espiritismo e catolicismo, tipicamente brasileira.

“Ele (Chico Xavier) era considerado em vida um homem santo, mas, para o catolicismo, um santo faz milagres. Chico Xavier não fazia milagres, nem era essa a proposta. Então, quando se vai ao túmulo de Chico Xavier hoje, em busca de cura, você está buscando de Chico Xavier alguma coisa que é fora do campo espírita. Mais uma vez, mostra essa aproximação e essa interseção que se faz entre catolicismo e espiritismo”, explica a antropóloga.

ISABELA ASSUMPÇÃO

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