27 de mar de 2010

"O ÚNICO CAMINHO É A CARIDADE", DIZIA CHICO XAVIER

Além do conforto espiritual, o médium fazia questão de dar apoio material. Ele acreditava que o único caminho possível para a felicidade era a caridade.



O que será que faz da cidade mineira de Uberaba um lugar tão especial para os admiradores de Chico Xavier?

Quando Chico veio para Uberaba em 1959, ele já era um médium famoso, mas o município era apenas uma acanhada cidade do oeste de Minas Gerais. Não havia nem 10 centros espíritas. Mas depois de Chico, as coisas mudaram. Caravanas de pessoas que vinham vê-lo enchiam a cidade. Foram abertos mais de 100 centros, e Uberaba passou a ser conhecida como a capital espírita do Brasil.

Até hoje, a presença Chico é forte em todos os cantos da cidade. “Aqui está a raiz. E a gente tem que conservar. Aqui está o que ele plantou”, afirma a aposentada Efigênia de Melo.

Efigênia de Melo caminha com dificuldade. Qual idade ela tem: 80, 90 anos? Ninguém sabe. Hoje, é a aposentada quem guarda a chave da Casa da Prece, lugar onde Chico fazia as sessões espíritas.

A casa continua aberta para receber quem chegar. Tudo no local está praticamente do jeito que era, quando multidões iam em busca de uma palavra de esperança. A cadeira de Chico continua exatamente onde ele deixou, na última vez que esteve para psicografar mensagens e atender os aflitos.

O homem que dizia conversar com os mortos se preocupava mesmo era com os vivos. Além do conforto espiritual, ele fazia questão de dar apoio material. Chico acreditava que o único caminho possível para a felicidade era a caridade.

“Não apareceu, por enquanto, nenhuma frase resumindo uma filosofia correta de vida como aquela pronunciada por Jesus: ‘amai-vos uns ao outros como vos amei’. Ou seja, amar sem esperar sem amado e sem aguardar recompensa alguma. Amar sempre”, disse Chico, quando era vivo.

Para Chico, vir ao encontro do povo mais humilde e ajudar os necessitados era uma missão. Durante anos, todos os sábados no início da tarde, ele ficou a sombra de um abacateiro para fazer uma enorme distribuição de alimentos, remédios e roupas de bebê. Não era preciso fazer ficha ou ter o nome em uma lista. Quem chegasse, levava a sacola com donativos.

No começo, era uma peregrinação pelas ruas do bairro pobre. Com o tempo, a fila foi aumentando. No Natal, a fila chegava a vários quilômetros.

A dona de casa Abadia da Silva Souza conheceu o médium caridoso: “Quando eu estava grávida, vinha buscar enxoval para meus filhos. Quando estava frio, os agasalhos”, conta.

Além da ajuda, Chico deixou um exemplo de vida. “Quem chega à minha porta, eu sempre tenho alguma para dar, um prato de comida, uma xícara de café ou um pão”, diz Abadia.

Mesmo sem Chico, a distribuição de alimentos continua. Agora, ela acontece em um centro, onde um novo abacateiro foi plantado para lembrar os velhos tempos.

Voluntários e amigos ajudam do jeito que podem. O médico pessoal de Chico Xavier, Eurípedes Tahan, dá assistência médica gratuita desde a chegada do médium em Uberaba.

“A presença do Chico proporcionava para aquele que estava em torno dele de ajudar. Então, nós fomos nessa fileira e tornou-se uma amizade muito grande”, conta o médico.

O jantar que Chico oferecia aos necessitados uma vez por semana também continua a ser feito.
A cozinha foi um dos poucos lugares em que ele esteve pouco antes de morrer. As cozinheiras ainda são as mesmas.

Efigênia e Neuza também são voluntárias. O tempo todo, a imagem de Chico Xavier é celebrada.
ISABELA ASSUMPÇÃO
Uberaba, MG

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