6 de mai de 2010

CRÍTICA: FILME SOBRE CHICO XAVIER RETRATA IMAGEM SUPERFICIAL

Santo ou demônio? Médium ou falsário? Essas foram algumas dúvidas que o médium brasileiro Chico Xavier levantou ao longo de sua vida. O longa "Chico Xavier", que chega aos cinemas na sexta-feira, quando o médium completaria 100 anos, no entanto, não está muito preocupado com esse tipo de conflito. Dirigido por Daniel Filho ("Se eu fosse você"), a partir de um roteiro de Marcos Bernstein ("Central do Brasil"), baseado por sua vez na biografia "As vidas de Chico Xavier", de Marcel Souto Maior, o filme faz um retrato chapa-branca de seu protagonista -- que morreu em 2002.

O Chico Xavier do filme, interpretado pelo garoto estreante Matheus Costa, Ângelo Antonio ("2 Filhos de Francisco") e Nelson Xavier ("Narradores de Javé") nas diversas fases de sua vida, é um personagem sem muitos dilemas interiores -- há umas poucas vaidades, mas conflito mesmo, daqueles de consumir, não existe. Desde pequeno, ele parece aceitar tranquilamente seu dom e sua missão.

Morando com a madrinha (Giulia Gam, de "A Guerra dos Rocha"), o pequeno Chico é visto como um ser estranho por ela, que tem medo e fascinação na mesma medida pela mediunidade do menino. A única a compreendê-lo é a mãe morta (Letícia Sabatella, de "Não por acaso"), com quem ele trava longos diálogos.

Mais tarde, morando novamente com o pai (Luis Melo, "Encarnação do Demônio"), ele ganha outra cúmplice - a madrasta (Giovana Antonelli, de "Budapeste"). Com alguns saltos de roteiro, Chico chega à vida adulta, quando sua mediunidade se manifesta com mais força e ele começa a estudar a doutrina espírita.

Ainda morando em sua cidade natal, Pedro Lourenço (MG), recebe pessoas que pedem sua ajuda para se comunicar com parentes e amigos que já morreram. Nessa mesma época, Chico começa a receber as visitas de uma entidade que recebe o nome de Emmanuel (André Dias), que o acompanhará ao longo de sua vida.

A narrativa ficcional sobre o médium em "Chico Xavier" é entrecortada por trechos de uma participação verídica no programa de entrevistas "Pinga-Fogo", na TV Tupi, na década de 1970. Nele, uma espécie de "Roda Viva" de sua época, Chico é sabatinado pelas mais diversas pessoas, que colocam em xeque seus poderes e crenças.

Essa entrevista, que interliga os episódios da vida do médium no filme, também serve como pretexto para amarrar outra linha narrativa do longa. Trata-se da história do casal Orlando (Tony Ramos, de "Tempos de Paz") e Gloria (Christiane Torloni, de "Onde andará Dulce Veiga?"), cujo filho morreu há pouco em um acidente.

Ela está desesperada, enquanto o marido, que é o diretor do "Pinga-Fogo", é cético. Essa parte do roteiro não se baseia numa história específica - embora sua conclusão venha de um fato real, envolvendo uma carta psicografada pelo médium. O casal, claramente, serve como identificação do público na tela. E, para não deixar ninguém de fora, um deles acredita em Chico Xavier e suas cartas, e o outro é o cético que zomba disso.

Enquanto personagem, Chico Xavier carece de conflitos e nuances. Ele aceita a sua missão muito facilmente, dizendo: "Eu sou como um carteiro, recebo cartas, e aí entrego". Seu único porém é um pouco de vaidade - que causa alguns desentendimentos com Emmanuel, mas nada muito sério. Quando se muda para Uberaba, onde abre seu centro, Chico já é bastante conhecido e recebe visitas de pessoas de vários cantos do país em busca de comunicação com mortos.

Daniel Filho dirige com o profissionalismo que lhe é habitual, mas sem qualquer ambição mais cinematográfica. É um filme feito para as massas, que devem se emocionar em cada momento calculado para fazer chorar - especialmente as cenas que mostram a comunicação entre pais e filhos, em que um dos envolvidos já morreu.

Por outro lado, como bem mostram as imagens finais do longa, tiradas do programa "Pinga-Fogo" real, Chico Xavier era uma figura bem maior do que aquela mostrada pelo filme. Sem dúvida, não seria fácil captar num longa de ficção uma figura tão complexa como o médium. O que não se justifica são alguns momentos rasos do filme.

Alysson Oliveira

5 Comentários:

Gabi* disse...

Estava navegando na internet quando encontrei o blog... assisti o filme domingo, e na realidade achei mto pouco perto do que foi chico Xavier.... acredito que até hoje ainda se tem medo de falar abertamente sobre o espeiritsmo...talvez até falar sobre a morte de pessoas que amamos é complicado. Dia desses um amigo me perguntou o porque quando falo da morte do meu pai, apresento a ausência dele como uma viagem e não como uma perda. Acredito que seria pequeno demais para Deus deixar que morte fosse o fim, por isso tenho certeza que ela é apenas o começo. Sinto a falta, mas tenho em minhas lembranças, talvez até como uma forma de "colo", acreditar que um dia nós nos veremos, lá na frente na hora que Deus assim quiser. Ele não foi tirado de mim, foi apenas pra um lugar melhor porque estava pronto para voltar a sua origem... No filme em determinado momento é citado que, não com essas palavras mas que ñão devemos chorar com o desespero como se tivessemos perdido alguém, mas quando chorar, que seja das lembranças boas que podemos ter dar pessoas que partiram, de tudo aquilo que elas deixaram para trás.... gostei mto daqui!!!

Anônimo disse...

Chico Xavier nasceu em Pedro Leopoldo e não em Pedro Lourenço, como consta no artigo.

Anônimo disse...

o filme foi lindo adorei

Anônimo disse...

lindo d++++++++++

nina disse...

Xico historia da vida dele foi triste e linda

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