20 de jun de 2010

BASTIDORES DO ESPIRITISMO EM CARTAS DE CHICO XAVIER

Umberto Eco, famoso escritor italiano, afirmou certa feita que o mundo está cheio de livros preciosos que ninguém lê. Se esta afirmação é verdadeira para a literatura universal, também o é para a literatura espírita. Há excelentes obras de caráter doutrinário que permanecem ignoradas do grande público espírita. Uma dessas obras é Testemunhos de Chico Xavier, de Suely Caldas Schubert, publicado pela FEB.

Trata-se de uma análise primorosa da correspondência de Francisco Cândido Xavier com Antônio Wantuil de Freitas, presidente da Federação Espírita Brasileira durante vinte e sete anos consecutivos. Abarcando um período que vai de 1943 até 1964, ela revela um dos períodos mais importantes da história do movimento espírita brasileiro.

Neste ano, quando se comemora o centenário de nascimento do médium mineiro e a figura histórica confunde-se com a mítica, Testemunhos de Chico Xavier mostra-nos um homem como qualquer outro, com os seus conflitos e dramas, mas com o diferencial de aplicar em todas as circunstâncias de sua vida, sobretudo nas mais difíceis, o Evangelho de Jesus.

Chico Xavier e Wantuil de Freitas formaram uma parceria que fomentou o desenvolvimento e a difusão do Espiritismo no Brasil. Todas as obras psicografadas pelo médium passavam por um exame criterioso, algumas delas tendo o seu conteúdo alterado pelos autores espirituais à pedido do Departamento Editorial da FEB. O caso mais notório talvez seja o do livro Libertação, do espírito André Luiz, que trazia informes novos sobre a realidade espiritual, como a “morte” do perispírito e nuances do processo obsessivo. O presidente da FEB teve dificuldade para entender e aceitar os princípios que eram ali desenvolvidos e ao manifestar a sua incompreensão obteve de André Luiz o aviso de que reescreveria parte da obra, pois se ele com toda a sua bagagem doutrinária não conseguira assimilar as suas “revelações”, o que se dirá dos demais...

Testemunhos de Chico Xavier traz confidências do médium e depoimentos surpreendentes que não se encontram em outras obras. É leitura obrigatória para quem deseja conhecer melhor a intimidade deste grande homem.

Trechos:

I - “(...) Foi Emmanuel que também me disse um dia – 'Não te aflijas com os que te batem – o martelo que atormenta o prego com pancadas fá-lo mais seguro e mais firme'.” (Testemunhos de Chico Xavier, p.264).

II - “Imaginas que eu, sem qualquer expressão no movimento doutrinário, isolado no sertão agreste de Minas, tenho recebido todos os nomes grosseiros conhecidos. Tudo quanto é 'acusação', as mais esquisitas, tem vindo sobre mim. Há dias em que me sinto enlouquecer, porque registro a carga pesada de fluidos venenosos que me atiram. Mas Deus há de auxiliar-nos. Ele nos ajudará a chegar até o ponto em que nos for permitido seguir, por Sua Divina Vontade.” (Testemunhos de Chico Xavier, p.177).

III - “(...) Fiz a pergunta ao nosso amigo André Luiz e envio-te a resposta. Já tive dois casos de congelamento de mãos em passes que dei a irmãos agonizantes e fique satisfeito com a explicação do nosso amigo espiritual. Noto muita diferença nas sensações em passes de que sou intermediário. Atualmente, o nosso companheiro Dr. Rômulo é quem se incumbe dessa seção de serviços do nosso grupo em Pedro Leopoldo e, a conselho de Emmanuel, só funciono quando ele não está, em vista da multiplicidade das sensações que nos surpreendem nesses serviços […]. Há pouco tempo, nesse trabalho, vi a cena que preocupava o doente – um crime por ele cometido há trinta anos. O caso foi para mim doloroso. E é tão grande e tão complexo que não cabe numa carta. Faço a referência tão-só para comentarmos a complexidade dessa tarefa (...)”. (Testemunhos de Chico Xavier, p.220).

IV - “(...) Tenho recebido, meu amigo, cartas insultuosas e observações bem duras, quanto aos livros desse mensageiro espiritual [André Luiz] que nos veio ensinar quanto é nobre e sublime a vida superior.” (Testemunhos de Chico Xavier, p.241).

V - “(...) Começar é fácil, continuar é difícil e chegar ao fim é crucificar-se, diz o nosso Emmanuel para designar uma tarefa cristã.” (Testemunhos de Chico Xavier, p.247).
VI - “Com Jesus e com o tempo não há problema insolúvel.” (Testemunhos de Chico Xavier, p.251).

VII - “(...) Emmanuel costuma dizer-me que 'quando aceitamos o incenso do mundo, vamos perdendo o contato com a Vontade de Deus' (…).” (Testemunhos de Chico Xavier, p.272).
VIII - “(...) Os nossos Benfeitores Espirituais costumam afirmar que só os inúteis não possuem adversários e que a paz procurada pela maioria das criaturas é simplesmente a paz fantasiosa do cemitério.” (Testemunhos de Chico Xavier, p.277).

IX - “Fiquei satisfeito por haveres identificado a personalidade de José Bonifácio em Ruy Barbosa. Já me achava de posse dessa informação. Quando José Bonifácio partiu levou grande amor e reconhecimento à Bahia e reencarnou-se lá, quase de imediato, para prosseguir no trabalho de libertação do País. Antes era a Independência e, em seguida, a Abolição do cativeiro e a República. Como vemos, as tarefas continuam... (...)”. (Testemunhos de Chico Xavier, p.292).

X - “Ultimamente, estou frequentando, fora do corpo físico, uma noite por semana, uma Escola do Espaço em que o nosso abnegado Emmanuel é professor de Doutrina Espírita. Confesso que é uma experiência maravilhosa. Estou aprendendo o que nunca pensei em aprender e tenho conservado a lembrança do que vejo, com o auxílio dos Amigos do Alto.” (Testemunhos de Chico Xavier, p.368).
 

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