2 de jun de 2010

'NÃO CONSIGO ENTENDER ESSE NEGÓCIO DE MORTE'

Para visualizar as tiras em destaque, clique nas imagens
 
No artigo postado domingo trouxe algumas tiras de "Calvin e Haroldo", apresentando os personagens de Bill Watterson a muitos leitores do blog que nos escreveram. Alguns nos enviaram depoimentos tocantes sobre suas próprias experiências de susto ou estranhamento diante da morte, mas um bom número de pessoas desejava apenas saber mais sobre o menino dos quadrinhos, que vive num mundo de fantasia, mas que convive com toda a realidade da vida à sua própria maneira. 

Decidi, então, trazer a sequência daquelas tiras (acima), que tratam do contato de Calvin com a morte. Nos quadrinhos de hoje ele diz ao amigo: "Não consigo entender esse negócio de morte".  "Que mundo estúpido", sentenciando, em seguida, ao ser surpreendido pelo inevitável. Mas, nas tiras seguintes, conclui que, realmente,  "há muitas coisas que não entendemos" .

E para aqueles que desejam saber mais, as tiras foram extraídas do livro "Tem alguma coisa babando embaixo da cama" (Conrad Editora, 127 págs., R$.23,90), parte de uma coleção de títulos da editora. Outros dez livros trazem o personagem em tiras traduzidas para o português. Para conhecer o espírito da obra, leia abaixo o prefácio assinado pelo cartunista Pat Oliphant.

* * *

"Há uma qualidade mística no trabalho de Bill Watterson. O que temos aqui não são apenas tirinhas, mas uma obra de dimensões antes encontradas apenas no Krazy Kat, de George Herriman e, mais tarde, no Pogo, de Walt Kelly. Isso, porém, foi há muito tempo, e desde aquela época não surgiu nada no mundo dos quadrinhos que pudesse substituí-los. Agora, temos Calvin e Haroldo.

"Nessa tirinha, não há personagens sentimentais ou com papas na língua. O garoto é deliciosa e obstinadamente perverso. A mãe e o pai (os nomes não são revelados e nem sequer necessários) vivem em um estado nervoso por não saber o que fizeram para merecer um filho desse jeito. O garoto, por sua vez, vive a maior parte de seu tempo em um mundo que me lembra a minha própria infância, povoado de terríveis criaturas imaginárias, mas também vive no mundo real, povoado de outras terríveis criaturas (a professora, a garota, o valentão da escola). O mundo imaginário é um refúgio do real. E tem também o tigre bobo de pelúcia. De alma sensível, ele é muito mais esperto que o garoto e equilibra as imprudências do dono com uma sabedoria afetuosa e irônica.

"Há inúmeras tirinhas por aí, umas boas, outras razoáveis, e muitas não passam de entulho. Todas têm seu universo de personagens, cativantes ou não, interligados e entremeados de diálogos, alguns bons, outros não. Poucas possuem essa mágica peculiar que pode suscitar comparações com os grandes nomes do passado.

"Você quer mágica? Watterson, o alquimista, conjurou uma obra de sutileza, personalidade e profundidade excepcionais, a partir de seus anos de infância. Desejo-lhe uma vida longa, e que seus poderes de feiticeiro nunca acabem.

"Você quer mágica? Esta é uma coleção das receitas do mágico para transformar tinta e papel no mais puro ouro. Permitam-me apresentar humildemente Calvin (o garoto) e Haroldo (o tigre). Este livro é pura mágica". (Pat Oliphant)

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