5 de jun de 2010

TODAS AS POLÊMICAS NA VIDA DE CHICO XAVIER

Show de materialização de espíritos e truques para incrementar as sessões de psicografia. O lado pirotécnico de Chico Xavier provocou desconfiança. E atraiu de vez a atenção da mídia.

A carreira literária de Chico começou cedo. Aos 22 anos, ele publicava Parnaso de Além-Túmulo, um livro com poesias psicografadas de nada menos do que 14 poetas célebres, do Brasil e de Portugal. Uma estreia inspirada por um conselho vindo da mãe de Chico. Da finada mãe de Chico.

Chico tinha acabado de entrar em contato com o espiritismo. Aos 17 anos, Francisco Cândido Xavier - seu nome completo, pelo qual ainda era conhecido - acompanhou uma irmã doente a um tratamento espírita em Pedro Leopoldo (cidade em que morava com os pais e os 15 irmãos). Lá, conheceu a obra de Allan Kardec. E foi incentivado por líderes espíritas a psicografar. Logo nas primeiras cartas psicografadas, veio a carta de sua mãe, morta quando o médium tinha apenas 5 anos de idade. Ela pedia que Chico se aprofundasse no espiritismo.

Chico seguiu o conselho. Em grande estilo. Ele dizia que não escolhia os espíritos a quem atenderia, só via fantasmas e ouvia vozes. Mas parecia ser o escolhido pelas celebridades do céu. Cruz e Sousa, Olavo Bilac, Augusto dos Anjos e Castro Alves lhe ditaram versos e prosa. O material viraria o Parnaso.

No mundo de poesias espíritas, ninguém havia publicado um livro invocando tantos nomes importantes do além. O lançamento colocou Chico Xavier sob os holofotes. Não só porque ele dizia que gente da Academia Brasileira de Letras estava agora escrevendo por uma via pouco ortodoxa. Mas porque o rapaz de 22 anos tinha produzido obras razoavelmente fiéis ao estilo dos autores que as assinavam. E sem ter tido uma educação formal. Chico havia estudado até a 4ª série do primário. Deixou o colégio aos 13 anos, porque havia começado a trabalhar - primeiro em uma fábrica de tecidos, depois como caixa de um armazém.

A história dividiu o mundo da literatura. Alguns desconfiavam de que tudo não passava de uma fraude. A viúva de Humberto de Campos até tentou na Justiça, sem sucesso, levar os direitos autorais sobre as obras psicografadas do marido. Mas outros o defendiam. "Se Chico Xavier produziu tudo aquilo por conta própria, merece quantas cadeiras quiser na Academia Brasileira de Letras", declarou Monteiro Lobato.

A desconfiança dos críticos tinha motivo. Apesar de não ter ido longe na escola, Chico foi autodidata e leitor voraz durante toda a vida. Colecionou cadernos com recortes de textos e poesias. Comprou livros de sebos em São Paulo. Em sua biblioteca, preservada até hoje em Uberaba, há mais de 500 livros e revistas, com obras em inglês, francês e até hebraico. A lista inclui volumes de autores cujo espírito o teria procurado para escrever suas obras póstumas, como Castro Alves e Humberto de Campos.

O debate em torno dos romances colocou Chico na mídia. "Foi aí que ele ficou conhecido", diz Nestor João Masotti, presidente da Federação Espírita Brasileira. Pesquisadores começaram a bater à porta do médium. Em 1939, até cientistas russos tentaram estudar seus poderes. "Mas Chico recusou, dizendo que seu guia espiritual Emmanuel não autorizava", diz Souto Maior em seu livro.

Das investidas da imprensa ele não escaparia. Eles queriam explicações não só para a linha direta que Chico dizia ter com as celebridades do outro lado, mas também para alguns shows que o médium andava fazendo por aí.

por Gisela Blanco. Com reportagem de Hellen Samantta em Foz do Iguaçu

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