29/08/2010

CARTA PSICOGRAFADA DO FILHO DA ATRIZ NAIR BELLO



Carta psicografada pelo médium Chico Xavier, assinada pelo espírito Manoel Francisco Neto, filho de Nair Bello, em 1977. Acima a atriz  fala sobre a mensagem em entrevista ao programa "SBT Repórter". Sobre a perda do filho, ela declarou: "Meu filho Manoel morreu em 1975, num acidente. Só consegui superar no ano seguinte, depois que eu recebi uma carta dele psicografada pelo Chico Xavier. Não tem provação maior para uma mãe. Mesmo tendo outros filhos, você olha e vê que está faltando um. A fé e o trabalho me impulsionaram e em três meses já estava trabalhando de novo."

"Querida mamãe, meu pai, este é o momento do Mané criança e preciso pedir a bênção. Não sei muito bem como escrever aqui. A sala iluminada, muita gente, e o menino aqui, lembrando as provas do colégio. Se a memória não estiver funcionando corretamente, já sei que não consigo o que desejo. Acontece, porém, que tenho bons amigos, auxiliando-me a grafar esta carta.

Creiam vocês, a rapidez da escrita, o tipo da letra em grande parte pertencem a eles, à Vovó Maria e ao nosso amigo Dr. Trajano, mas o que escrevo, o que passo nas linhas caprichosas do lápis não é cola nem sopro de outras inteligências.

Mãezinha, é hora de chorar com vocês e afirmar que os sentimentos são meus mesmo, são de seu Manoel caladão, enfeitado de tantas idéias próprias e de tantas teimosias que fui até onde a rebeldia e a falta de comunicação me levaram.

Já sabemos de tudo. Papai foi mais forte, naquele dezembro que estourava com a nossa certeza de uns dias de recreio e bons papos com os nossos de Limeira, quando você, mamãe, fazia tantos planos diante de nós, para ver se descansava de suas lutas no trabalho, eis que o Mané não achou a pedra no caminho, mas encontrou um tronco forte que me pôs a cabeça incapaz de pensar.

Mãezinha e meu pai, fiz tudo para levantar o corpo, mas creio que o choque me alterou a circulação. Não estamos na hora de saber se rebentei alguma artéria importante ou se abri torneiras de sangue na cabeça intracrânio (vamos criar uma palavra que me ajude a recordar), mas o que é certo é que sou trazido até aqui para consolar-nos, uns aos outros.

Erguer-me não pude, falar muito menos, tive apenas a sensação de que caía num sono contra minha própria vontade. E creiam vocês dois que pensei em ambos do mesmo modo que pensei em Deus naqueles momentos em que me apagava devagar. Tanto desejo de sair, buscar algum telefone e contar que fora vitima de um acidente.

Mamãe, isso tudo eu pensei com tantas saudades de você. Naquela hora precisava de sua alegria e de sua palavra para suportar o tranco, mas sem saber rezar, em silêncio, pedi a Deus nos abençoasse e não deixasse você e meu pai acreditarem em suicídio. Às vezes, o Mané casmurro que eu era, falava em mundo difícil de agüentar e fazia alguma referência que pudesse dar a idéia de que, algum dia, ainda forçaria o portão de saída da Terra.

Mas estejam convencidos de que o carro deslizou sem que eu pudesse controlá-lo. A visão não estava claramente aberta para mim, porque sentia em torno uma névoa grossa e a manobra infeliz veio fatal e com tamanha violência que a idéia de suicídio não devia vir à baila.

Isso tudo, eu compreendi muito depois, porque naquele instante estava pensando em Natal e em nossa viagem a Limeira. Não sei se recordam que eu demonstrava uma certa indecisão entre acompanhar a família ou ficar em nossa casa. Mas isso tudo era só de mentirinha porque, no fundo, eu queria seguir com todos.

Mas eu que, às vezes, falava na morte, não sabia que ela me espreitava assim tão perto. Caí, sem querer, num sono violento no qual me pareceu estar num poço muito profundo, à espera de que me libertassem, conquanto não me fosse possível gritar por socorro. Por fim, sonhei, como um pesadelo, que me carregavam para o hospital e escutei, mamãe, o seu choro abafado. As vozes baixas no sonho eram ainda mais baixas, Senti o cheiro de remédios e escutei o ruído de instrumentos como se penetrando em meu cérebro. O sonho era demorado, um sonho em forma de pesadelo, daqueles que a gente quer acordar sem poder, mas depois veio um sono silencioso, como se tudo houvesse acabado, o mundo e eu.

Despertei não sei quando até hoje, e me senti à vontade, pedindo pela presença de meu pai para conversar. Queria preparar com ele um modo de atenuar os sustos em casa e sempre com a idéia fixa na viagem do Natal. Foi quando minha avó Maria e outra a quem ela deu o nome de dona Maria Angélica de Vasconcelos, me animaram para o conhecimento da verdade. A realidade é que eu estava completamente boiando no caos. Não conhecia ninguém/

Elas me apresentaram a dois senhores, que se identificaram como sendo o Dr. Trajano de Barros e meu bisavô Souza e depois trouxeram um sacerdote amigo e paternal que me disse conhecer-nos a todos. Tive a idéia de que o grupo se compadecia de minha ignorância, mas o sacerdote encontrou um caminho para abordar-me:

‘Pois você, Manoel, nunca ouviu falar em casa de seu bisavô a história de Frei João, aquele que pretendia curar febres com o suco de limas?

Ele perguntou com um sorriso tão luminoso e tão amigo que meu espanto diminuiu. Se eu estava vendo o frei João, de Limeira, eu estava entre os mortos ou entre os vivos de outra espécie e perguntando à minha avó Maria sobre isso, com o olhar ela me respondeu: – “É verdade, meu filho, a casa de Irineu e de Nair agora é a nossa aqui para você. A morte não existe. Você apenas voltou aos seus. Tínhamos muitas saudades de você também”.

Aquilo me cortou o coração. E mamãe? Ela me informou que você e meu pai, com os irmãos, estavam com a bênção de Deus e que eu não devia rebelar-me contra o acontecido. Mamãe, não adiantaria qualquer resposta agressiva de minha parte…

Então chorei como se nunca mais fosse a situação em que a morte nos colocava diante daqueles que mais amamos. As emoções me agravaram a condição de doente e debati-me numa febre que perdurou muito tempo. Febre em que a via alucinada de dor, com meu pai procurando reconfortá-la. Quem disse que a morte liquida tudo estava muito enganado. Nas alucinações ouvia os seus pensamentos: “O que terá você feito, filho? Manoel, conte para sua mãe a verdade! Fale se você não mais nos quis!”

E eu respondia explicando o acidente, mesmo cansado e abatido como estava via meu pai sofrer calado para não aumentar a tristeza em casa e ouvia os irmãos falando em festas de Natal e Ano Novo, com algumas pontas de ironia de quem não compreende a presença do sofrimento, nas horas em que mais pensamos em Deus.

Mas, melhorando, comecei a temer por você, Mãezinha. Sua alegria parecia morta, seu coração dava a idéia de uma noite fria e sem estrelas. Você pensava se valeria a pena ficar na Terra sem seu Mané casmurro. E tanto amor extravazava de seu coração para o meu, embora as distâncias de Espaço que não existem para os que se amam que, o teimoso de sempre, inclinei-me para a idéia de Deus e comecei a pedir por sua alegria e por sua vida. Papai e os nossos não poderiam ficar sem você e você não poderia vir antes do momento marcado.

Pedi e pedi tanto, que um amigo apareceu com a vovó Maria e se identificou por Oduvaldo. Era o nosso amigo Oduvaldo Viana que me disse: – “Você pode estar sossegado. Nair é mais corajosa do que você pensa e nós vamos organizar a peça em que sempre desejei ver sua mãe mostrar o talento que lhe conheço”.

Depois de algum tempo, passei a vê-la no espelho de minha visão ocupada com o teatro e Oduvaldo com muitos amigos auxiliando-a. Mãezinha, eu sabia que isso ia dar certo, porque você foi sempre a rainha do trabalho. Serviço nunca lhe deu medo e foi com muitas lágrimas de alegria que fui levado para abraçá-la em sua volta ao palco de paz e alegria. O trabalho diminuiu nossas penas, papai ficou mais calmo ao vê-la mais serena e toda a família reanimou-se. Perdoem-me se me estendi tanto. Não tenho pretensões de sintetizar.

Isso é para os escritores que burilam as palavras e as frases, como os ourives fazem com as pedras preciosas. Aqui, mamãe, é só o coração do filho para tranqüilizá-los.

Estou bem. Estou em outras faixas e agora menos introvertido. Estou aprendendo aquela ciência em que você e meu pai sempre me quiseram bem formado, a ciência do diálogo. Estou aprendendo a sair de mim mesmo e a ouvir para responder certo. Penso que consegui o que desejava: sossegar meu pai e minha mãe, acerca do acidente de que fui vítima.

Papai está com excelentes estudos sobre a vida da alma. Quando você, mamãe puder fazer o mesmo, isso será muito bom. Eu teria chegado aqui mais escovado se tivesse alguma preparação sobre os meus novos assuntos.

Abraços na turma toda, começando por Aparecida e continuando nos irmãos. Diga, mamãe, a eles todos que estou melhor e com boas notas de renovação. Desejo a todos uma vida longa e muito feliz.

Obrigado, mamãe, por seus gestos de caridade pensando em mim. Esse agradecimento é extensivo ao meu caro papai. Minhas saudações aos seus e nossos companheiros de trabalho, especialmente aos que vieram com vocês até aqui. Um abração para todos de São Paulo e Limeira e vice-versa.

Agora, peço-lhes que me abençoem com alegria. Mamãe, creio que principalmente você e eu já nos cansamos de chorar. Coloque a sua alegria em nossa vida como sempre. Seja sempre a nossa Nair Belo, que nós seguíamos atentos em tudo de bom e belo que a sua arte produz.

Meu abraço aos dois, a você e a meu pai, com um beijo do filho cada vez mais reconhecido e sempre mais filho de vocês pelo coração e com todo o coração do Mané".

Manuel Francisco Neto

14 Comentários:

Anônimo disse...

Impressionante e corajador! Não sei o que pensar, o que fazer, no que crer, o quê estou traindo ao crer, em tudo que parece tão assustador, mas, confortante ao mesmo tempo. É como se a sede num deserto fosse represantada por um copo cheio de facas. Indiferente de religião, creio em Deus e em tudo que há de bom e saudável nesta vida,porém, a profissão que escolhi me leva a trilhar outros caminhos distantes não do amor, mas perto da ganância. É errado eu sei, mas saber não é a minha cura neste momento. Preciso de ajuda para tentar entender a realidade de tudo, pois, o simples pensamento de uma possível falta no futuro já me destroiu por dentro. Tenho vida, felicidade, força de vontade, família e Deus na minha vida, porém, tenho incertezas daquilo que é o certo. Não tenho dúvida na existência do divino, mas tenho dúvida se posso me tornar alguem melhor e rezar pelas pessoas que eu sei que não rezam. Preciso tanto saber que a minha luta servira para confortá-los no momento em que eles precisarem. Falar da existencia de Deus para as pessoas é complicado, imagina falar da existência de uma vida além desta! Eu sinto a necessidade de me tornar um melhor ser humano, eu sinto a necessidade de olhar para as pessoas, mas não tenho tempo, ou, não consigo conciliar as coisas. Tenho medo e sofro em buscar a verdade do espiritismo porque nasci e cresci católico. Agora, vcs devem estar pensando, mas que besteira, quem disse que não pode conciliar as duas coisas se Deus é o centro de tudo. Aí é que está o centro do meu medo. Não sei de mais nada, preciso muito me tornar a pessoa que eu era, preciso!

Anônimo disse...

é bom saber que nada acaba aqui tranquiliza nós seres humanos com a verdade de que vamos morrer ou desencarnar um dia,é claro que ninguem vai deixar de sentir o gostinho de como é morrer,desencarnar como queira.mas o bom disso tudo é que deve ser legal do outro lado da vida,pensem nisso e a morte não sera mais um bixo de 7 cabeças,mas sim uma esplicação para tudo.um abraço pra todos amem a deus!

Anônimo disse...

Eu gostaria muito de conhecer o espiritismo, eu comecei a pensar que e verdade o espiritismo este ano de 2011. quando le, um livro sobre uma psicografia de um amigo. nossaq aquilo me deixou abalado nervoso sem saber o certo das coisas eu queria poder ter a oportunidade de um dia conhecer um medium e que meu amigao, helio possa conversar comigo sinto tanta falta dele eu sempre sonho conho com ele muito bom mesmo, so que eu queria sentir ele mais presente queria ler o que tinha pra me contar a respeito dele como ele ta.e tambem queria conhecer mais os significados da espiritualidade! abraço a todos e que sejam felizes e pratiquem o bem sempre...

sandra maria de lima santos disse...

perdi um primo tem dois anos e nao tinha me conformado mas agora depois de ver o filme nosso lar sei que ele esta bem melhor que antes da vida que ele levava aqui na terra so assim eu me conforto depois de tudo que aconteceu com toda minha familia agradeso do fundo do corasao por terem feito esse filme aprendi muito com ele

simone disse...

penso q o espiritismo nao consola explica as desgracas da vida,sou medium desde os 11anos de idade na verdade a morte nao existe todos continuam entre nos por este motivo temos q orar sempre ao nosso pai dignissimo para livramento dos espiritos sofredores,suicidas e mesmo daqueles entes queridos o espiritismo me abriu portas q jamais pensei evolui bastante aprendi muito

Anônimo disse...

Sei que estamos aqui só de passagem e nossos familiares a quem tanto amamos pouco a pouco vão cumprindo suas missões e partindo, mas deus como superar o egoismo de perdermos aqueles que mais amamos, sabe tenho muito medo e perder meus pais que são as pessoas que mais amo na vida, será que vou ser forte assim para continuar minha jornada, e se quando for minha hora se reencontrarei alem de meus familiares meus animaizinhos queridos como me fazem falta tbm, Xico Xavier ajudou muitas pessoas neste mundo ajudou a consolar muitos, eu sou auxiliar de enfermagem e ja vi tantas pessoas morrerem em minha vida e é um sentimento de impotencia tão grande e nunca consigo dizer nada se quer...

Anônimo disse...

Só quero saber o seguinte: o médium que escreveu esta carta não sabia absolutamente nada de detalhes vida familiar deles ? Sabia da forma como ele morreu ? Porque falar de coisas genéricas sobre a vida e a morte qualquer um fala , mas quero saber se o medium falou de detalhes da vida dele que não tinha como ele saber .

holly disse...

quero receber uma carta d aminha mãe que se foi a 4 meses me mandem um email ja me cadastrei e aguardo contato email marcelo.peixe512@hotmail.com

ele disse...

essas cartas que vc's dizem ser escritas por alguem,digamos essa msg,não existe porque não existe vida apos a morte pra aquele que nunca aceitou Jesus ele foi pro inferno,é definitivo.

ele disse...

essas cartas que vc's dizem ser escritas por alguem,digamos essa msg,não existe porque não existe vida apos a morte pra aquele que nunca aceitou Jesus ele foi pro inferno,é definitivo.

Anônimo disse...

MEUS IRMAOS,SAIAM DESSA,O DIABO É UM SER ENGA -
NADOR,POIS ELE TEM VÁRIAS FACES.POIS ELE VEIO
PARA MATAR,ROUBAR,E DESTRUIR OS FILHOS DE DEUS.
DEUS DIZ NA BÍBLIA QUE NÃO DEVEMOS CONSULTAR OS
MORTOS,POIS OS MORTOS NÃO TEM CONSCIENCIA DE NA-
DA.JÁ NÃO FAZEM PARTE DESSE MUNDO,O SEU JUIZO
JÁ FOI FEITO.QUEM FIZER O BEM E ACEITAR A JESUS
IRÃO PARA A SALVAÇÃO ETERNA,QUEM FEZ O MAL PARA
A CONDENAÇÃO ETERNA.ACEITEM A JESUS COMO SEU
SALVADOR E SERÃO SALVOS VOCÊ E SUA CASA.
PENSEM NISSO.

Anônimo disse...

Um pensamento : Esqueca-me quando te esquecer e nunca me esqueceras.

Anônimo disse...

outro pensamento:Sigas alem do horizonte e se encontrares alguem que a ame mais do eu,esqueca-me.

Anônimo disse...

......foi recebeu noticias de meu pai ontem recebi uma carta psicografada acredito que seja ele pois falou algumas coisas que fazem sentido.Vou começar a ir mais no centro espirita pois me senti muito bem e para me preparar para quando eu desencarnar.Temos qu e amar-mos o inimigo para depois amar o próximo.que assim seja

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