10 de ago de 2010

CONHEÇA 'A MENSAGEM DO PEQUENO MORTO'

Quando ainda estava na cidade de Pedro Leopoldo, no ano de 1946, Chico Xavier lançou um pequeno e despretensioso livro psicografado pelo espírito Néio Lúcio, mas que acabou tornando-se uma obra de referência na literatura infanto-juvenil espírita. Trata-se de "Mensagem do Pequeno Morto" (Edição da FEB, 88 págs.), em que conta a história de Carlos, um rapaz que faleceu aos 14 anos de idade, que logo que se recupera do desencarne preocupa-se em enviar ao irmão de nome Dirceu uma carta contando sobre sua nova condição de vida.

O que você lerá a seguir é o primeiro trecho desta carta:

"Meu caro Dirceu:

Escrevo-lhe esta carta para dizer que não morri. Jamais supus me fosse possível endereçar notícias a você, depois de afastar-me do corpo terrestre. Algumas vezes, vira o enterro de crianças e pessoas grandes, da janela grande de nosso quarto, quando observávamos, em silêncio, o carro triste, enfeitado de flora, conduzindo alguém que nunca voltava...

Recorda-se da morte de Osório, o nosso colega do grupo escolar? Nunca me esqueci do quadro enternecedor. Dona Margarida, a mãezinha em lágrimas, conduziu-nos a vê-lo. Osório, brincalhão e bondoso, estava mudo e gelado. Parecia dormir, imóvel sob um montão de rosas e saudades.

Quando ouvi dizer que ele jamais voltaria, meu coração bateu forte e empalideci. Nosso velho Tomás, o porteiro da escola que assistia à cena, percebeu o que se passava e afastou-me depressa.

Nesse dia, não comi e passei a noite assustado. Atormentei o papai com toda a espécie de perguntas sobre a morte e arrepiava-me todo, recebendo-lhe as respostas. Por fim, ele reconheceu a minha inquietação e aconselhou-me a evitar o assunto.

Muito tempo passou, mas a experiência ficou guardada no meu coração. Foi por isso, talvez, que fiquei, durante o período de minha enfermidade, impaciente e aflito. E, para falar francamente a você, tive medo, muito medo, ao perceber que tudo ia acabar-se, pois sempre ouviria dizer que a morte do corpo é o fim de todas as coisas.

Agora, porém, posso afirmar que isso não é verdade.
Lembra-se do último dia que passei em casa?

Mamãe chorava tanto!... Papai, muito sério, ia de um lado para outro, na sala contígua ao nosso quarto. O Doutor Martinho, nosso bom amigo, segurava-me as mãos, e você, Dirceu, sentado na poltrona de vovó, olhava-me ansioso e entristecido. Quis falar, mas não pude. Estava cansado sem saber o motivo. Faltava-me o ar, como se eu fosse um peixe fora d’água. Esforçava-me para dizer alguma coisa, pelo menos para tranqüilizar a mamãe; entretanto, havia um peso enorme, oprimindo-me a garganta e a boca.

Foi então que parei meu olhar em seus olhos e chorei muito, com receio de ficar mudo e gelado como o Osório, e partir para nunca mais regressar.

Não consegui mover os lábios, mas, em pensamento, rezei as orações que mamãe me ensinara. Lembrei-me de Deus e esperei o sono com indizível angústia... Queria dormir, dormir muito, no entanto, era tão grande o meu temor de dormir sem acordar, que, se eu pudesse, teria gritado intensamente, com toda a força de meus pulmões, pedindo ao Doutor Martinho que não me deixasse morrer".

1 Comentário:

Anônimo disse...

Gostei muito desse Blog Partida Chegada.Por acaso caiu na minha caixa de email um email destinado a outra pessoa que nao era para mim . Nao abri ,mas pegue o nome do blog ,gostaria de saber se existe a possibilidade de colocarem o nome de meu falecido marido Vytaut Algird Georg Gudat nas reunioes de voces mediuns , pois tenho muitas saudades dele. Há quase 7 anos ele desencarno, ele é e sera sempre o grande amor de minha vida . Tenho muita vontade de saber noticias dele.Sei que o telefone toca de lá para cá e nao daqui para lá. mas ficaria muito feliz se eu conseguisse. Maria Helena Gudat email -hgudat@hotmail.com aguardo resposta

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