24 de ago de 2010

PEQUENO MORTO : FINALMENTE O SONO BOM

Trecho do livro "Mensagem do Pequeno Morto" (Edição da FEB, 88 págs.), lançado por Chico Xavier, em 1946, em psicografia do espírito Neio Lúcio. A obra é uma referência na literatura infanto-juvenil espírita e conta a história de Carlos, um rapaz que faleceu aos 14 anos de idade, e que envia ao  irmão de nome Dirceu uma carta contando sobre sua nova condição de vida.

* * *

"Surpreendido, notava que nenhum de vocês fazia caso da presença de tia Eunice, dando-me a impressão de que não na viam; e até o doutor Martinho, que lhe ficava defronte, mostrava absoluta indiferença. Ela, contudo, não estava menos satisfeita por isso.

Após acomodar-se à cabeceira, nossa tia posou a mão macia sobre a minha cabeça e grande alívio me banhou o coração. Tive a idéia de que raios de sol me penetravam o corpo em desalento. Não pude conversar como desejava, mas não consegui pensar mais claramente. Desviei a atenção que concentrava na garganta dorida e raciocinei sem maior aflição.


Estaria menos mal? A morte permaneceria rondando-me o leito? Que aconteceria nos próximos minutos?

Quis endereçar algumas perguntas à Tia Eunice, explicando-lhe, ao mesmo tempo, que sentia imenso receio de morrer; todavia, meus lábios estavam quase imóveis. Ela, porém, segundo minha observação, percebeu, de pronto, o que me passava pelo cérebro. Sorriu-me, bondosamente, e disse:

- Você, na verdade, acredita que alguém possa desaparecer para sempre? Não creia em semelhante ilusão... É preciso tranquilizar-se. Afinal de contas, os dias de dor e as noites de insônia têm sido numerosos.

- Sorriu, com ternura mais acentuada, inspirando-me profunda confiança, e
tornou a dizer:

- É necessário que você durma sossegado, sem qualquer inquietação.

E como eu lhe ouvisse os conselhos, acrescentou:

- Descanse, Carlinhos! Ceda, sem temor, à influência do sono. Velarei por você... Em seguida, passou a mão direita, de leve e repetidamente, sobre a minha cheia de feridas. A transformação que experimentei foi completa. Acreditei que me estivesse aplicando deliciosa compressa de alívio. As dores que me atormentavam, havia tanto tempo, cederam, pouco a pouco.

Indizível tranquilidade dominou-me, por fim. Entreguei-me, confiante, aos carinhos de Tia Eunice, como me abandonava, comumente, à ternura de mamãe.

Logo após, a mão dela, carinhosa e boa, afagou-me o roto banhado de suor, detendo-se docemente sobre minhas pálpebras... Tentei, ainda, olhar para você; todavia, não pude. A visitante inesperada cerrou-se os olhos, com brandura, e acentuou:

- Durma, Carlinhos! Você está cansado...

Nada respondi com a boca; entretanto, concordei mentalmente, agradecido e reconfortado. Tia Eunice observou-me a silenciosa de satisfação, porque, nesse instante, curvou-se e beijou-me.

Recordei-me, então, do beijo de mamãe, cada noite, e, em vista do alívio que eu sentia, entreguei-me finalmente ao sono bom".

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