17 de ago de 2010

PEQUENO MORTO : HISTÓRIAS DE ASSOMBRAÇÕES


Trecho do livro "Mensagem do Pequeno Morto" (Edição da FEB, 88 págs.), lançado por Chico Xavier, em 1946, em psicografia do espírito Neio Lúcio. A obra é uma referência na literatura infanto-juvenil espírita e conta a história de Carlos, um rapaz que faleceu aos 14 anos de idade, e que envia ao  irmão de nome Dirceu uma carta contando sobre sua nova condição de vida.

"Em vão procurava no rosto de vocês uma expressão de tranqüilidade e bom ânimo. Daria tudo para que sorrissem, desfazendo-me o pavor. Entretanto, estavam todos consternados, chorosos...

Esperei que o Doutor Martinho me encorajasse, assegurando que tudo se resumia numa crise passageira, mas nosso, bondoso médico examinava-me o pulso, sem disfarçar a tristeza que lhe dominava a alma. Em razão disso, o medo de morrer cresceu muito mais fortemente em meu espírito.


Quando tudo me parecia irremediável, eis que alguma coisa sucedeu, chamando-me a atenção. Leve ruído despertara-me a curiosidade. Desviei meu olhar para a parta de entrada e reparei que aí surgiam, de maneira inexplicável, delicados flocos de substância fosforescente.


Esses pontos de luz como que formava fino manto de gaze tenuíssima, sob o qual tive a impressão de que alguém se movimentava... Seguia a novidade, com enorme espanto, quando apareceu, rasgando a leve cortina, uma jovem de belo porte que não tive dificuldade em reconhecer.


Era a mesma do grande retrato que mamãe conservava em casa. Era a tia Eunice, a irmãzinha dela, que morreu quando nós dois éramos pequeninos. Trajava um vestido de cor verde-claro, enfeitado de rendas luminosas. Cercavase, principalmente ao longo do tórax e da cabeça, de lindos clarões de luz azulada, como se trouxesse uma lâmpada oculta. Seus olhos escuros irradiavam simpatia e bondade sem limites.


Tia Eunice entrou pelo quarto a dentro com grande surpresa para mim, abraçou mamãe, sem que mamãe a visse, e, depois, sentou-se ao meu lado, dizendo:


- Então, Carlinhos, você é tão valente, está medroso agora?


Se fosse noutra ocasião, penso que não me comportaria bem, porque sempre ouvira dizer que os mortos são fantasmas e nossa tia já era morta. Achava-me, porém, tão aflito que experimentei grande consolação com as palavras encorajadoras que me dirigia.


Necessitava de alguém que me reanimasse. Reparava o nervosismo do papai, as lágrimas da mamãe, a tristeza e o abatimento doutor Martinho, ao meu lado, e concluí que as boas disposições dela eram providenciais para mim.


Em verdade, nos bons tempos de saúde, ouvira estranhas histórias de “assombrações do outro mundo”, que me deixavam impressionado, sem sono, mas tia Eunice não podia inspirar medo a ninguém. Estava linda e risonha, enchendo-me de confiança e otimismo.


Senti-me, pois, reanimado, embora reconhecendo a desagradável rigidez de meu corpo, que não conseguia mover, nem de leve".

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