27 de nov de 2010

HISTÓRIA DE VITOR : FAZENDO RADIOTERAPIA

Vitor
Trecho do relato "A História de Vitor", um comovente depoimento do menino Vitor Lovison do Amaral, cuja história de apenas 12 anos (interrompida por um câncer) não o impediu de dar uma verdadeira lição de vida. A obra não se trata de literatura, mas de fato real, escrito por ele mesmo durante o curto período de 17 meses entre a descoberta da doença e sua partida. Segundo o pai, Carlos Alberto do Amaral, "Vitor apesar de sua doença e da situação de cadeirante a que ficou submetido, nunca reclamou e nem mesmo se revoltou com Deus ou com quem quer que seja". E conclui: "Sua passagem foi serena. Quando ele partiu se encontrava em seu quarto, em sua cama e, ao lado das pessoas que mais o amaram nesta vida. Foi um exemplo de vida e fé a ser seguido por todos que amam a vida." Suas últimas palavras, gravadas na porta de seu quarto, foram escritas com adesivos e foram: “Acreditem em si mesmo” e “Eu amo minha família”.

O blog Partida e Chegada publica, semanalmente, trechos desse diário infantil como incentivo a essa filosofia e firmando, uma vez mais, nossa certeza de continuidade da existência.
* * *
O  início da radioterapia

Eu fui para Sorocaba (SP) fazer radioterapia. No dia 23/05/07 foi a minha primeira consulta. Fomos eu, minha mãe, meu pai e minha tia Cris e, estava chovendo na Avenida Washington Luiz onde fica a clínica Nucleon, local onde eu ia fazer 28 sessões.

No primeiro dia eu, meu pai e minha mãe dormimos no apartamento da tia Cris. Eu fiquei feliz por estar ao lado dos meus primos Renatinho e Rodrigo e de meus tios Almyr e Cristina, Poder matar a saudade.

Nós três, eu, “Digo” e “Nato” (apelidos dos meus primos Rodrigo e Renatinho) jogamos vídeo-game PS1 o dia inteiro. No segundo dia eu acordei às 08:30 horas para fazer radioterapia. Foram comigo a tia Cris, minha mãe e meu pai. Eu gostei muito das enfermeiras de lá, elas foram muitos legais e simpáticas. Depois minha mãe foi embora, então ficou eu e meu pai em Sorocaba com minha tia Cris, tio Almyr e meus primos. Nós ficamos lá todos os dias. Além disso, no outro dia, depois da rádio, meu pai levou a gente ao Shopping e compramos um sorvete do Mc Donalds. Eu pedi um com casquinha de chocolate e nos divertimos muito. Depois todos voltamos para o apartamento e, contamos para “Digo” que, ficou com um pouco de inveja, mais depois entendeu e, o tio Almyr, nem me lembro se contamos pra ele, mas acho que a tia Cris contou.

No outro dia, depois da rádio, meu pai nos levou para passear, para sair um pouco do apartamento, então eu conheci uns amigos do “Nato” e também um barzinho que tinha lá em baixo do apartamento. Depois disso, nós fomos lá na rua comprar cartão telefônico para poder falar com mamãe e, também comprar um jornal de esportes para papai ler. Então tia Cris nos chamou para tomar café da tarde, depois eu e “Nato” jogamos vídeo-game. “Digo” chegou a tarde e eles foram treinar bola na quadra do apartamento e, após, fomos dormir.

No outro dia, depois da rádio, meu pai foi procurar o setor de fisioterapia no Hospital de Sorocaba para mim e esperamos mais ou menos duas horas para sermos atendidos e, então, as sessões ficaram assim: as 2ª, 4ª, e 6ª feiras e, começavam as 02:00 horas da tarde e terminavam as 06:00 horas.

Os fisioterapeutas se chamavam Maikon e Viviane. Eles judiavam muito de mim com os exercícios. Eu chegava na casa da tia Cris esgotado, mais depois que eu saía da fisioterapia, meu pai sempre comprava um sorvetinho para mim.

No outro dia, depois da rádio, meu pai me levou para ver os preços do vídeo-game PS2 que ia dar-me de presente de aniversário adiantado. No outro dia, ele me levou de novo na mesma loja e compramos o PS2, que foi meu presente de aniversário e, após, aproveitamos e fomos passear no Mercadão, lá vendiam um monte de coisas legais, como moedas antigas, notas antigas, frutas, feijão, arroz, tudo que se possa pensar. Do lado de fora, ficavam pessoas vendendo e trocando coisas, do tipo: eu troco esse meu relógio pelo seu, meu telefone pelo seu ventilador, e assim por diante. Após voltamos para o apartamento da tia Cris com PS2 e, instalamos na televisão do quarto do “Nato” e “Digo”.

No começo eu me empolguei com o vídeo-game e esqueci que o “Nato” estava ao meu lado e, queria jogar também, daí a tia Cris me deu uma bronca, então eu coloquei um jogo que dava para nós dois jogarmos ao mesmo tempo. Rodrigo chegou, daí eu coloquei um jogo que nós três gostávamos e jogamos a noite inteira. Ficamos com vontade de não parar mais de jogar, não queríamos mais parar, mais paramos e fomos dormir.

No outro dia, eu tive uma surpresa: a enfermeira viu que eu gostava muito de boné e me deu o endereço de sua loja e, falou para eu ir lá e pegar um boné de presente, não importava o preço, podia ser do mais caro, do mais bonito. Então eu peguei um azul escuro, bem bonito e fui embora para casa da tia Cris, Na chegada tomei um banho e fui jogar vídeo game com meus primos. Comemos e depois, a noite, vimos a série Lost, sua 3ª temporada e no final, meu primo “Nato” que estava dormindo na sala, foi levado pelo tio Almyr para sua cama e, dormindo ele foi falando: “pára pai, pára pai...” foi muito engraçado e, em seguida, fomos dormir.

No outro dia, depois da rádio e da fisioterapia, eu só fiquei jogando vídeo-game e, a noite, nós fomos assistir de novo a série Lost e, de novo, no final, meu primo “Nato” dormiu e quando o tio Almyr levou ele para cama, ele dizia assim: “quero frango, quero frango”. Foi demais. Depois dessa vez, ele não fez mais isso. No outro dia, meu pai levou eu, “Nato” e a tia Cris ao Supermercado Carrefour fazer compras.

Vitor Lovison do Amaral

2 Comentários:

Anônimo disse...

Admiro as pessoas ,mesmo com pouca idade que nunca esquecem que Deus exite

Anônimo disse...

Amanha 15 de maio, fazem 4 anos q meu filho se envolveu na briga de um amigo e tomou tres tiros, sendo um no abdomem e nao resistiu a cirurgia. E dificil conviver sem a presenca dele muito dificil.

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