17 de nov de 2010

A HISTÓRIA DE VITOR - O COMEÇO DE TUDO

Vitor
Trecho do relato "A História de Vitor", um comovente depoimento do menino Vitor Lovison do Amaral, cuja história de apenas 12 anos (interrompida por um câncer) não o impediu de dar uma verdadeira lição de vida. A obra não se trata de literatura, mas de fato real, escrito por ele mesmo durante o curto período de 17 meses entre a descoberta da doença e sua partida. Segundo o pai, Carlos Alberto do Amaral, "Vitor apesar de sua doença e da situação de cadeirante a que ficou submetido, nunca reclamou e nem mesmo se revoltou com Deus ou com quem quer que seja". E conclui: "Sua passagem foi serena. Quando ele partiu se encontrava em seu quarto, em sua cama e, ao lado das pessoas que mais o amaram nesta vida. Foi um exemplo de vida e fé a ser seguido por todos que amam a vida." Suas últimas palavras, gravadas na porta de seu quarto, foram escritas com adesivos e foram: “Acreditem em si mesmo” e “Eu amo minha família”.

O blog Partida e Chegada publica, semanalmente, trechos desse diário infantil como incentivo a essa filosofia e firmando, uma vez mais, nossa certeza de continuidade da existência.
* * *
O Começo de tudo 

No dia 25/04/07 eu fui para Escola e até o recreio estava tudo normal. Quando chegaram as duas últimas aulas de História, a matéria que eu mais gosto, com minha professora Neiva, eu já comecei sentir algo de estranho nas minhas pernas. Pensei que fosse cansaço.

E voltando para minha casa, eu fui brincando que eu era um bêbado, porque eu ia tropeçando em qualquer coisa. Então decidi passar na casa da minha avó e de meu avô. Minha avó pegou um aparelho de fazer massagem e passou nas minhas costas pra ver se melhorava a dor. Depois disso aproveitei que meu primo Renatinho estava na minha vovó e joguei bola com ele e, mesmo estando com as pernas bêbadas consegui jogar. Até ganhei mas levei uns frangos.

Depois paramos de jogar bola e fomos jogar um jogo de tabuleiro. Depois minha mãe me levou para o hospital, para o doutor me ver e tentar descobrir que seria a dor. O nome dele era Doutor Carlos e ele falou que era dor muscular. Além disso, lá eu vi um homem que se engasgou com um osso de porco e, precisava fazer uma cirurgia para tirar. Me deu calafrios de ver aquilo, mas depois fui embora.

Dormi, acordei no outro dia com as pernas muito bambas, quase caindo e cansando muito para andar. Minha mãe ligou para tia Léia e combinaram de me levar para o Hospital de Avaré para os médicos me verem. No hospital, titia Léia teve que me levar no colo até lá no hospital. O médico deu umas marteladas no meu joelho, para ver o meu reflexo. Ele me encaminhou para uma clínica, mas não deu muito certo. Estava cheia.

Daí me levaram para uma outra clínica particular. O doutor me viu andando e, já na cara, falou que tinha algo comprimindo a minha medula e que poderia ser uma hérnia de disco. Minha mãe ficou muitíssima preocupada comigo, já ligou para tia Vânia, para sua mãe e para tudo mundo, dando a notícia. Daí o doutor já pediu uma ressonância magnética de situação de emergência para o outro dia; então eu faria a ressonância magnética.

Voltei para casa e tomei um banho, comecei a receber visitas de tios e avós. Depois comi uma comida muito boa que minha mãe preparou para mim. Fui dormir, acordei a noite com dor nas costas. Não podíamos fazer nada para melhorar. Só no outro dia eles me levariam para Botucatu, fazer a ressonância magnética para ver o que ia dar. Foi difícil dormir, mais consegui. No outro dia, acordei sem conseguir andar direito. Mamãe e papai ficaram desesperados comigo, então fomos eu, tio Zezito, papai e mamãe para Botucatu, bem cedinho, para ser consultado pelos médicos de lá.

Vitor Lovison do Amaral

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