19 de dez de 2010

CONHEÇA JOÃO DE DEUS E O PODER DA FÉ - 3

"Impossível", o radiologista tinha dito. Não houve qualquer explicação médica para isso. "Se nós compreendessemos o papel que João de Deus está desempenhando na reversão da doença," diz o médico, "nós deveríamos estar fazendo isso aqui."

Quando você considera as inúmeras coisas invisíveis que tem uma inegável energia -- como as ondas de som, microondas, as emoções como raiva ou inveja, o vento e, claro, o poder universal do amor --, parece tolo invocar o olho nu para fazer a prova do "nada". No entanto, isso é o que fazemos. Tabelas e gráficos, raios-x e exames comprovam aquilo que sabemos existente, mas a crença sem a documentação, algo que percebemos com um dos nossos cinco sentidos, é considerada uma fé cega.

O que eu acredito? Eu não tinha certeza. Histórias como as de Edwene eram interessantes, mas eu não estava convencida. Gostaria de saber se a prova adicional que eu estava buscando seria encontrada no Brasil. Gostaria de saber se João de Deus preencheria o buraco que se criou dentro de mim e me ajudaria a amar minha vida de novo, uma vida que não continha o meu pai. "Nenhuma doença física ou psíquica é além da possibilidade de cura", diz um folheto distribuído na "Casa Dom Inácio". "A cura pode ser física ou espiritual". Era impossível ver esta afirmativa e não pensar em milagres, mistérios e poderes sobrenaturais.

* * *

O "Hotel Rei Davi" é um modesto prédio de dois andares, pintado de um verde jade macio. Oito vezes por ano, cerca de 15 visitantes ocupam seus quartos, de onde são guiados pelo proprietária, Heather Cumming, para ver João de Deus. Nascida no Brasil, de pais escoceses, levantadas na pecuária interior do país, Heather fala português perfeito, bem como espanhol, francês, inglês com um suave sotaque. Ela é alta e tem uma maneira delicada. Quando o meu táxi parou na manhã de domingo, ela me cumprimentou com um abraço. Um grupo que tinha chegado na semana anterior estava lá, ela explicou, mas eu não poderia vê-los todos, porque muitos estavam se recuperando de uma cirurgia invisível, dormindo o tempo todo.

Em Abadiânia, a semana é dividida em duas partes: de sábado a terça-feira, quando a "Casa DOm Inácio" é pouco frequentada, porque o médium João de Deus não está na residência; e de quarta a sexta-feira, quando ele dirige seu Ford 250 pickup de sua fazenda nos arredores da cidade vizinha de Anápolis, deixando para trás sua esposa, Ana Keyla Teixeira Lourenço, e vê centenas de pessoas desde o amanhecer até o anoitecer.

Heather tem uma ligação estreita com a "Casa DOm Inácio". Como estudante de Reiki e xamanismo, ela chegou a Abadiânia dez anos atrás, em uma busca espiritual. Durante sua visita, o espírito que dirigia os trabalhos por intermédio de João de Deus convidou-a para observar uma cirurgia física. "De repente, senti uma onda de energia, muito agradável, mas muito forte", lembrou. "E então eu acordei em uma maca". Em outra ocasião, ela foi às lágrimas. "Eu estava chorando e o médium João de Deus perguntou-me porquê. Eu lhe disse que tinha experimentado o amor incondicional pela primeira vez."

Agora Abadiânia é o lar de Heather. Ela também é co-autora do livro "João de Deus: o Curandeiro Brasileiro que tocou as vidas de milhões". E, nesta minha chegada, ajudou a levar minha bagagem até o segundo andar, quando ela aconselhou: "Não acredite em tudo você pensa".

Meu quarto era simples e limpo, com uma aura de tranqüilidade que me fez deitar imediatamente e dormir por cinco horas. Eu acordei ao cair da noite, sentindo-se desorientada. A luz da noite derrava-se através de minha janela. Não havia ninguém por perto. Saí pela porta da frente e caminhei ao longo da estrada até a "Casa". O céu estava cor de laranja e vermelho exuberante, as aves ainda estavam cantando e um cão amarelo de aparência feliz saiu da estrada e correu ao meu lado. Eu andei por pequenas lojas, algumas das quais tinham em exposição roupas brancas -- uma vestimenta recomendada por "João de Deus" para ser usada durante as sessões, pois facilitaria ver a aura das pessoas.

Havia uma série de pequenos hotéis, pintados com cores vivas, alinhados lado a lado: lilás roxo, canário verde, amarelo limão. Um deles, um edifício cor de coral de um só andar, aberto para a rua, exibia num telão um vídeo sobre o médium da cidade. Um público de cerca de 20 pessoas estava sentado vendo João de Deus cortar o peito de um homem com o que parecia ser uma faca enferrujada. Os olhos do homem estavam fechados, e ele parecia calmo enquanto um filete de sangue escorria por sua camisa branca.

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