28 de jul de 2011

FILÓSOFO EXPLICA PORQUE DEIXOU DE SER ATEU

Luiz Felipe Pondé, de 52 anos, é um raro exemplo de filósofo brasileiro que consegue conversar com o mundo para além dos muros acadêmicos. Seja na sua coluna semanal na Folha de S.Paulo, seja em livros como o recém-lançado "O Catolicismo Hoje" (Benvirá), ele sabe se comunicar com o grande público sem baratear suas idéias. Mais rara ainda é sua disposição em criticar certezas e lugares-comuns bem estabelecidos entre seus pares.

Veja a seguir trecho de sua entrevista à Veja (Edição de 13/07/2011), quando trata de religião, Deus e explica porque deixou de ser ateu.

* * *

O senhor acredita em Deus?
Sim. Mas já fui ateu por muito tempo. Quando digo que acredito em Deus é porque acho essa uma das hipóteses mais elegantes em relação, por exemplo, à origem do universo. Não é que eu rejeite o acaso ou a violência implícitos no darwinismo — pelo contrário. Mas considero que o conceito de Deus na tradição ocidental é, em termos filasóficos, muito sofisticado. Lembro-me sempre de algo que o escritor inglês Chesterton dizia: não há problema em não acreditar em Deus; o problema é que quem deixa de acreditar em Deus começa a acreditar em qualquer outra bobagem, seja na história, na ciência ou em si mesmo, que é a coisa mais brega de todas. Só alguém muito alienado pode acreditar em si mesmo.

Minha posição teológica não é óbvia e confunde muito as pessoas. Opero no debate público assumindo os riscos do niilismo, e sou muitas vezes acusado de niilista. Quase nunca lanço a hipótese de Deus no debate moral, filosófico ou político. Do ponto de vista político, a importância que vejo na religião é outra. Para mim, ela é uma fonte de hábitos morais, e historicamente oferece resistência à tendência do estado moderno de querer fazer a cura das almas, como se dizia na Idade Média — querer se meter na vida moral das pessoas.

Por que o senhor deixou de ser ateu?
Comecei a achar o ateísmo aborrecido, do pontoo de vista filosófico. A hipótese do Deus bíblico, na qual estamos ligados a um enredo e um drama morais muito maiores do que o átomo, me atraiu. Sou basicamente pessimista, cético, descrente, quase na fronteira da melancolia. Mas tenho sorte sem merecê-la. Percebo uma certa beleza, uma certa misericórdia no mundo, que não consigo deduzir a partir dos seres humanos, tampouco de mim mesmo. Tenho a clara sensação de que às vezes acontecem milagres. Só encontro isso na tradição teológica.

A partir da Veja (13/07/2011). Leia no original

2 Comentários:

Anônimo disse...

Deus é supremo, Deus é infinito, Deus é Amor. Amo a Deus e ele me Ama.

Anônimo disse...

Deus existe e tenho provas disso ele me ajudou na doença e me ajuda em problemas existenciais que por vezes surgem e que por vezes me sinto impotente para resolver, quando comecei a acreditar em Deus tudo mudou, Deus nos ama infinitamente

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