17 de set de 2011

EQM: ATOR OUVIU CHAMADO PARA VOLTAR

Uma liberdade completa. Foi assim que a morte apareceu para o músico e ator Fernando Alves Pinto durante os dez dias de coma profundo. 

A experiência de prazer intenso começou a partir de um grave acidente de bicicleta. "Eu estava descendo aqui, devia estar em uma velocidade já elevada. Só que a minha roda é mais fina do que a roda da moto, e a roda travou em um buraco que devia estar cheio de água. Aí eu voei e caí com a cabeça na quina de um carro", conta Fernando. 

O tombo foi tão violento que Fernando teve uma convulsão. No hospital, foi operado duas vezes para a retirada de coágulos no cérebro. “Os prognósticos eram que eu talvez não ia andar, talvez não falar." “O médico até tinha falado para mim: ‘olha, não tenha muitas esperanças’. Eu não segui o conselho dele. Tive muitas esperanças. Acabou dando certo”, diz Cecília Withaker, mãe de Fernando. 

Deu certo, mas ninguém diria que enquanto ele estava inconsciente deste lado, em algum outro lugar andava flertando seriamente com a morte. "Pular, nesse precipício, seria me dissolver no todo, seria fazer parte de tudo. Era essa a sensação que eu tinha”, define Fernando. “Eu me dissolver, me libertar.” 

"Ele tinha feito um filme com o Walter Salles, o ‘Terra estrangeira’. Eu então resolvi me pegar nisso, eu falava para ele: ‘Fernando, acorda, você tem que sarar porque o Waltinho está esperando você para fazer outro filme’", diz Cecília. "Eu resolvi voltar, porque é engraçado, eu tinha também a sensação de estarem me chamando para voltar”, diz Fernando. 

Quinze anos depois, o estudante de clarineta virou músico profissional. É que logo depois do acidente, era mais fácil para o cérebro do ator ler partituras do que decorar longos roteiros. Até a recuperação total foram dois anos de muito esforço. Mas ele não desperdiçou a chance e permitiu o nascimento de um novo Fernando. "Eu não sou essa carne. Eu sou fora disso, eu sou além disso aqui. O cérebro é hipervalorizado. O cérebro é legal, é uma ferramenta ótima, mas o corpo inteiro é uma ferramenta ótima. A gente, a nossa consciência, é além. Isso aqui é só uma ferramenta. A nossa consciência é muito mais, não cabe aqui só", reflete Fernando. 

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