17 de set de 2011

EQM: MUDANÇA DE VIDA É CONSEQUENCIA COMUM

O caso era grave. Os médicos ficaram três horas lutando para não perder o paciente. Enquanto isso, ele teve uma longa EQM. 

O professor de matemática e estatística Sérgio Cabrini vai sempre muito além dos números. Experiência ele tem: mestre em Ciências Exatas, trabalhou como alto executivo em grandes empresas. Hoje, prefere apenas ensinar. E não só matemática. "É muito importante a gente se encher hoje de amor, aprender o que é o amor, amar o que eu faço, amar minha família, amar meus colegas”, ensina Sérgio. 

Os alunos nem piscam: adoram ouvir a história deste professor que venceu na vida, de "virada". Essa é uma história que começa 15 anos atrás, com uma parada cardíaca. Naquela época, o professor trabalhava das 5h da manhã à 0h, todos os dias. Sérgio ainda era um jovem de 39 anos, mas o coração não aguentou. “Eu consegui descer do carro e caminhar até onde está o pronto-socorro, e as duas enfermeiras me atenderam. Aí apareceu o médico da UTI e me levou para lá”, lembra. 

O caso era grave. Os médicos ficaram três horas lutando para não perder o paciente. Enquanto isso, ele teve uma longa Experiência de Quase Morte (EQM). "Eu vi o médico correndo para cima da cama, mas, de repente, o que eu observei era o meu corpo, como se eu estivesse debaixo da cama observando o meu corpo. Como se eu estivesse observando o meu corpo deitado na cama. Mas nesse mesmo instante se abriu um buraco bastante negro debaixo da cama e aquele túnel me succionou, e no caminho começaram a passar telas de toda a minha vida. Em cada tela passava um período ou uma fase da minha vida, e do meu lado havia uma figura muito alta e fina, que dizia: ‘olha a tela’. Cada momento que passava, ele dizia: ‘olha, acidente de carro, e eu te salvei’”, lembra o professor. 

“E esse acidente aconteceu mesmo conosco”, continua Sérgio. “Fomos atropelados por um pneu de caminhão. Quando eu tinha em torno de 8 anos, caí dentro de um rio e estava morrendo afogado. Na quarta vez que eu afundei eu apareci do lado do rio deitado, e o filme me dizia: ‘eu te tirei de lá’. Aí, de repente, o túnel era algo como se fizesse uma curva bem aberta. Quase chegando no fim do túnel, onde tinha uma luz muito avermelhada e amarelada, nós paramos. E ele disse: ‘você apelou pelos seus dois filhos, e é devido a seus dois filhos que você vai retornar. Realmente eles precisam de você’. A partir daquele momento, tudo se reverteu. Comecei a voltar. Vi meu corpo debaixo da cama novamente, e a impressão é que saí de uma piscina com muito tempo de fôlego. Senti meu corpo todo estremecer e, por coincidência, estava passando a enfermeira ali na cama e eu ouvi ela gritar pelo médico. Ele gritava: ‘vencemos a morte, vencemos a morte!’. É a última cena que eu lembro dele. Ele saindo da UTI, que devia ter acabado o plantão dele. Ele indo embora cantando”, detalha Sérgio. 

Depois, o médico avisou que, naquele ritmo, Sérgio não teria uma segunda chance. Os gêmeos ainda eram bebês. O casal tinha a vida inteira pela frente. Ele só precisava de coragem para encarar a mudança. "Pare mesmo! A gente também trabalha. Vamos unir as nossa forças, e o que nós queremos é você conosco, a sua saúde", avisa a professora Célia Cabrini, mulher de Sérgio. Sérgio encerrou a carreira como executivo de uma grande empresa e começou praticamente do zero na vida acadêmica, sem garantia de sucesso. 

Hoje é chamado para dar aula em várias cidades brasileiras e até no exterior. Não perde nenhuma oportunidade para falar do que aprendeu para a vida depois de quase morrer. "A primeira pergunta: curtiu a família? E a minha resposta tinha sido não. Curtiu os filhos? Não, trabalhava o dia inteiro. Curtiu a vida? Não. Então, a coisa mais tenebrosa é respondermos não para essas três perguntas", avalia Sérgio. 

Os jovens reconhecem o entusiasmo do mestre e aprendem a lição facilmente, como se fosse um carinho de pai para filho. “Você para de ficar tão mecânico e começa a ver realmente a vida com um olhar diferente. Você passa a tomar algumas decisões mais voltadas para o que você está sentindo, e não para o que a carreira manda, por exemplo. Eu acho que é isso que realmente mexe com a gente", resume o estudante de administração Luan Pereira. 

“Eu vejo aqueles alunos não como simples pagadores, mas como pessoas que vão ser formadas um pouquinho pela minha presença. Se não fosse a EQM, provavelmente eu não teria a visão que eu teria hoje. Eu teria até tentando dobrar o meu período de trabalho, procurando ganhar mais, procurando agradar homens em termos de cargo e de funcionário, e não teria esse sentido da vida, nessa plenitude de poder ver o crescimento dos filhos, poder dizer que, poxa vida, eles cresceram e eu vi eles crescerem”, conclui Sérgio. 

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