19 de set de 2011

'NÃO TENHO COMO IR CONTRA MINHA DOR", DIZ ATRIZ

No espelho do camarim, bilhetes e a foto de seu filho, Rafael
A atriz Beatriz Gentil Pinheiro Guimarães atuou em TV, filmes e peças, como apresentadora esteve 20 anos à frente do Vídeo Show. Mais conhecida como Cissa Guimarães, ela é também uma mãe que carrega uma dor enorme: a morte de seu filho Rafael, em julho de 2010.

No quadro "O que vi da vida", exibido no programa "Fantástico", da Rede Globo, a atriz fala sobre a carreira, os amores, a maternidade e dá um depoimento emocionante sobre o luto pela perda do filho. Abaixo, o vídeo e, na sequencia, entrevista da atriz ao Portal IG.

* * *
“Quando foi a última vez que você gargalhou para valer?”. É com esta pergunta que a personagem Beatriz começa a repensar toda sua vida. O drama, pontuado por momentos cômicos, que Cissa Guimarães vive no palco do teatro Leblon, no Rio, inevitavelmente passa por comparações com sua vida pessoal.

“Minha última gargalhada foi quando cheguei em casa, vindo de São Paulo, e o Rafa tinha saído do “Geleia do Rock” (programa do Multishow). A banda dele era finalista do programa e ele achava que iria gravar seu primeiro CD. Ali eu fui muito feliz pela última vez. Isso foi dois dias antes do acidente”, diz ela.

Após o atropelamento que vitimou seu filho caçula, no dia 20 de julho, Cissa suspendeu a apresentação de “Doidas e Santas” por duas semanas. Mas logo encarou o desafio de voltar aos palcos. “Ali estava minha força, a força que eu precisava”, diz.

Ao lado de Giuseppe Oristânio e Josie Antello, a atriz dá voz a temas que doem na carne – como morte, perdas, cremação, tristezas. Quantos teriam a mesma coragem que Cissa demonstra? “Isso mostra como a força do teatro é incrível. Aqui ela é uma personagem, é a atriz”, explica Josie, que divide cena com Cissa vivendo três personagens – sua mãe, a filha e a irmã. “Criamos uma relação familiar, demos todo o apoio possível ao que ela viveu”, diz Giuseppe.

Cissa chega ao teatro cerca de duas horas antes da apresentação. Cumprimenta os funcionários, dá uma conferida na bilheteria – os ingressos têm se esgotado com facilidade, joga a bolsa para um canto e sobe ao palco. Começam seus rituais de superstição. Dá três pulos com o pé direito e faz uma oração calada, de olhos fechados. Segue para o camarim. Acende uma vela para seu “anjo Rafa”, fica alguns minutos em silêncio olhando para a foto dele, colada no canto do espelho. Só depois, ela se diz preparada para conceder a entrevista.

"Tenho compromisso com a felicidade", afirma Cissa
Você chegou ao teatro fazendo alguns rituais. Por quê?
O palco do teatro é um altar para mim. Por isso o meu total respeito por este lugar. Mesmo que eu esteja trabalhando em palcos de colegas, indo entrevistar alguém para o “Vídeo Show”. No camarim acendo velas para meu anjo da guarda. Hoje em dia meu anjo é meu filho Rafael.

Você sente a presença dele?
Eu não queria falar sobre isso.

Claro, é uma decisão sua. De que forma você se vê como a Beatriz, sua personagem na peça?
Ela não tem nada a ver comigo... Peraí, quer dizer, tem alguma coisa a ver, sim. A Beatriz tem um “insight” quando responde a uma entrevista. A pessoa pergunta para ela: “Quando foi seu último momento de felicidade, quando foi sua última gargalhada?”. E ela não sabe responder a isso. Me identifico com ela neste sentido, nesta busca da felicidade.

É compreensível...
Estou passando pelo momento mais infeliz de toda a minha vida, que é uma dor da qual nunca mais vou me curar, mas continuo dizendo que tenho compromisso com a felicidade. Estou me cuidando da maneira que posso.

Onde tem buscado forças?
Com meus filhos, Tomás e João, com meu neto José e com meu teatro. Estou tentando aprender a conviver com esta dor, que é eterna, e ser feliz de novo. Quero voltar a ser feliz, voltar a sorrir. Não a sorrir como antes, porque nunca vai ser igual, mas quero voltar, de alguma maneira, a sorrir. Neste momento, a Beatriz se parece comigo, nesta luta de querer ser feliz.

Você interpreta uma mulher que não consegue sair de um casamento infeliz. Já viveu situação parecida?
A personagem está insatisfeita há muitos anos e não consegue dizer “não” a uma situação dita pela sociedade como correta, que é a questão do casamento. Nunca fui assim. Sou ariana. Se não estou feliz, você não vai me segurar. Nunca assinei papel de casamento nem passei por estas cerimônias todas. Acho que casamento deveria ser uma decisão para se tomar só aos 60 anos de idade, antes disso é bobeira. Com 20 ou 30 anos, você jurar que vai ficar com aquela pessoa até que a morte os separe, a chance de dar merda é grande. Não trato relacionamento como brincadeira, meus casamentos duraram muito tempo.

O que é “muito tempo” para você?
Fiquei 14 anos com Paulo César Pereio, quase cinco anos com Raul Mascarenhas e seis com o João Batista. Isso é um tempinho bom. Tem quem casa, faz filho e menos de um ano depois já está separado. Hoje em dia casamento virou brincadeira.

Quando você é doida, quando você é santa?
Para você ser doido, tem que ser santo. Para ter a vida que eu gosto, para fazer loucuras, preciso ser santa. Minha casa funciona sempre. Na parte familiar, sempre fui careta. Para poder ser doida e chegar em casa depois das duas da manhã, tenho que organizar toda a casa de forma bem careta, nos detalhes. Tem que buscar o equilíbrio. Detesto gente muito santa ou muito doida.

Apesar de todo o drama familiar, a peça tem uma mensagem positiva, não?
A mensagem principal é “seja feliz”, vá buscar a sua salvação através da felicidade e dane-se o que os outros pensam. Metade da minha salvação já foi embora com meu filho, mas eu ainda vou buscar ser feliz. Do tamanho que esta felicidade couber em mim. Não vai ser mais 100%, mas nem por isso vai ser só 10%, entende?

De que forma esta peça a ajuda e qual é a importância dela neste momento da sua vida?
Ela me trouxe a minha maior realização profissional, é minha primeira filha, por eu ter parido, em termos de produção, todos os detalhes que estão no palco. Digo que tive três filhos e uma filha, que foi esta peça. É o que está me segurando na vida neste momento, além da força dos meus filhos e do meu neto. Isso aqui é uma grande família.

Por isso você conseguiu voltar tão rapidamente ao palco?
Esta peça me mantém viva, foi ela quem me deu “boinhas” para sobreviver neste mar de tristeza no qual me encontro. Eu não tive dúvidas de que precisava voltar ao teatro o mais rápido possível, por causa dessa força que os deuses do palco me dão. Rafael ia gostar disso, ele adorava esta peça.

Você saberia responder a mesma pergunta que fazem para sua personagem? Quando foi a última vez que você gargalhou para valer?
Foi quando cheguei em casa, vindo de São Paulo, e o Rafa tinha saído do “Geleia do Rock” (programa do Multishow) e ele disse que a banda dele era finalista do programa e achava que iria gravar seu primeiro CD. Ali eu fui muito feliz pela última vez. Isso foi dois dias antes do acidente (ela se emociona).

1 Comentário:

sobrinho disse...

Por que surgiu o sofrimento?
Por que Deus deixou que o sofrimento tivesse início, visto que seu propósito era que a humanidade tivesse um futuro maravilhoso? Por que ele permite que exista por tanto tempo?
Deus criou Adão e Eva com corpo e mente perfeitos, e os colocou num jardim paradísico, onde receberam trabalho agradável para fazer. A Bíblia declara: “Deus viu tudo o que tinha feito, e eis que era muito bom.” (Gênesis 1:31) Se tivessem obedecido a Deus, Adão e Eva gerariam filhos perfeitos, e a Terra teria se tornado um paraíso global, onde as pessoas viveriam para sempre em paz e felicidade.
Deus deu a Adão e Eva o maravilhoso dom do livre-arbítrio como parte da natureza humana, ou seja, eles não foram criados como robôs. No entanto, para continuarem vivendo felizes, precisavam usar o livre-arbítrio da maneira correta: obedecendo às leis de Deus. É conforme Deus diz: “Eu, Jeová, sou teu Deus, Aquele que te ensina a tirar proveito, Aquele que te faz pisar no caminho em que deves andar.” (Isaías 48:17) Usar mal o livre-arbítrio acabaria em desgraça, visto que o homem não foi feito para ter êxito na vida independente de Deus. A Bíblia diz: “Não é do homem terreno o seu caminho. Não é do homem que anda o dirigir o seu passo.” — Jeremias 10:23.
Infelizmente, nossos primeiros pais acharam que poderiam ser independentes de Deus e ainda assim ser bem-sucedidos. Mas, ao rejeitarem sua liderança, Deus não permitiu que eles continuassem perfeitos. Então, começaram a degenerar-se até que finalmente envelheceram e morreram. E nós, segundo as leis da genética, herdamos deles a imperfeição e a morte. — Romanos 5:12.

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