7 de out de 2011

'FILME DOS ESPÍRITOS' FALA DO SENTIDO DA VIDA



Tudo começou com um concurso da produtora de cinema Mundo Maior Filmes, de São Paulo, que desafiou jovens cineastas a escrever e produzir curtas-metragens fictícios, mas baseados em trechos de O Livro dos Espíritos, de Allan Kardec. Mais de 100 roteiros foram enviados de todo o País, mas apenas oito foram selecionados pela produção. Para a surpresa de todos, os sete primeiros foram criados por pessoas que não conheciam a Doutrina Espírita, e o oitavo, pelo Centro Espírita Os Cireneus do Caminho, localizado em Volta Redonda, no estado da Paraíba. Em 2009, os curtas produzidos foram exibidos e premiados em diversas categorias.

Depois deste processo, o jornalista e cineasta André Marouço criou o personagem protagonista de "O Filme dos Espíritos", Bruno Alves - interpretado pelo ator Reinaldo Rodrigues -, que aos 40 anos vê o desencarne de sua esposa, perde o emprego e pensa em suicídio antes de conhecer a obra de Allan Kardec, que muda a sua vida. Marouço organizou o roteiro final, aproveitando também as histórias dos oito curtas produzidos, e dirigiu o longa junto com o cineasta Michel Dubret.

"O Filme dos Espíritos" é o terceiro filme espírita do qual o ator Nelson Xavier participa, mas desta vez ele interpreta um médico psiquiatra que auxilia o personagem protagonista, Bruno Alves (Nelson Xavier interpretou Chico Xavier no cinema). O filme conta ainda com os atores Felipe Falanga, Ana Rosa, Ênio Gonçalves, Etty Fraser, Sandra Corveloni e com a participação especial da apresentadora de TV Luciana Gimenez.

O Filme dos Espíritos estreia em todo o Brasil neste mês de outubro (as datas são diferentes em cada estado), mas prestam homenagem ao aniversário de Allan Kardec, que foi celebrado no dia 3. Em entrevista recente à revista "SER Espírita" o diretor André Marouço, que falou um pouco sobre a sua história com a Doutrina e sobre o filme. Confira.

Como foi o seu primeiro contato com o Espiritismo?
André Marouço - Sou espírita desde 1990. Sou católico de berço, mas conheci e pratiquei com muito orgulho a Umbanda e o Candomblé na adolescência. E no início da vida adulta, afastado de qualquer religiosidade, conheci o Espiritismo reencontrando-me completamente na Doutrina, quando eu estava passando por um momento muito difícil na vida. Havia sofrido um acidente -- minha noiva na época machucou-se bastante -- e um amigo do trabalho era quem conseguia, com suas palavras, acalmar-me dando-me esperança quanto ao futuro. Porém, nesta época tomei coragem de fazer algo que há muito me chamava atenção. Na casa de minha mãe, na estante, havia um livro que durante anos me chamava atenção: "Os Mensageiros". E por saber que o amigo que me acalmava era espírita, aventurei-me em abrir o livro. Devorei-o. Eu conhecia aquilo tudo, só não sabia. Nada daquilo era novo, nada era fantástico; era tudo muito simples e compreensível. Daquele instante em diante apaziguei-me através da Doutrina dos Espíritos.

Na sua opinião, qual é o principal conhecimento da Doutrina Espírita que contribui com o desenvolvimento das pessoas?
Destruir dogmas e afastar-nos cada vez mais do Cristianismo que "nós criamos". A Doutrina tem condições de mostrar-nos o que Jesus realmente nos ensinou e especialmente destruir o "Deus Antropomórfico" criado por nós. E o mais impressionante é que Allan Kardec, um racionalista metódico, conseguiu já na obra basilar de toda a Doutrina, "O Livro dos Espíritos", reunir as perguntas que durante milênios estavam no imaginário humano. Um dia, penso eu, o mundo científico encontrará na obra kardequiana o maior conjunto racional para as respostas existenciais humanas. Além disso, a Doutrina Espírita, como fé raciocinada que é, consegue explicar o que é espiritualidade, tem condições de consolar aqueles que "perderam" entes queridos, enfim, são tantas as contribuições antropológicas, sociológicas, filosóficas, científicas que a Doutrina faz, mas se tivesse que dizer em poucas palavras, eu diria uma frase já conhecida: "a Doutrina Espírita matou a morte".

Quais foram os desafios enfrentados para dirigir o filme?
Dirigir este longa foi absolutamente incrível. Trata-se de um projeto que começou no final de 2008, quando nós tínhamos a idéia, mas não tínhamos um tostão. Então nos lembramos do que um amigo falou-nos uma vez: "Jesus não quer idéias, ele quer projeto. Com projetos bons e voltados para o bem, ele assina os cheques". Assim, desenhamos todo o projeto tal qual uma grande corporação escreve um "Plano de Negócios", o profissionalizamos completamente, afastamos desde o início qualquer amadorismo, tudo precisaria ser feito com os melhores equipamentos e os melhores profissionais, porém, a um custo acessível. Para nossa surpresa, assim que terminamos de escrever o projeto, "Jesus assinou os cheques". As dificuldades foram enormes, mas durante todo o tempo percebíamos alguma influência espiritual nos amparando e intuindo.

O filme aborda a obsessão, que é um assunto difícil de ser tratado e bastante polêmico. Qual a mensagem que o filme passa a respeito disto?
O filme aborda a obsessão de uma forma racional, ou seja, explica com simplicidade e sem polemizar, o quão racional é a Doutrina. Sobre este assunto, entendo que as pessoas que não conhecerem a Doutrina Espírita e assistirem ao filme, irão buscar na vasta literatura espírita explicações mais profundas sobre o tema. A finalidade de uma obra cinematográfica é muito mais sensibilizar e despertar a curiosidade do que trazer explicações doutrinárias. Porém, o filme não trata apenas de obsessão, trata especialmente de superação, mostra que, mesmo que uma noite seja dolorida e difícil, no dia seguinte o sol brilhará. O filme demonstra um "Jesus Amor", um "Deus Acolhedor"; coloca-nos na condição de protagonistas de nossa evolução e não na condição de coadjuvantes de nosso futuro.

Qual a mensagem que o senhor e o restante da equipe esperam levar às pessoas com "O Filme dos Espíritos"?
Que a vida é linda, que Jesus é o nosso irmão de luz, ansioso por receber-nos; que nosso fim é a felicidade e que vale a pena vencer os obstáculos ao longo da vida. As obras cinematográficas "Bezerra de Menezes - O Filme" e "Chico Xavier, O Filme", são cinebiografias; "Nosso Lar" trata da vida espiritual, "As Mães de Chico Xavier" fala da comunicação entre os dois planos. Já "O Filme dos Espíritos" é feito para o homem contemporâneo, é um filme humano, uma obra que demonstra a superação dos desafios que a sociedade nos traz. Enfim, o que esperamos é que quem for ao cinema apazigue-se. Se é bom para nós, queremos que seja bom para o mundo.

* * *

Abaixo, o vídeo traz uma palestra de André Marouço, diretor de "O Filme dos Espíritos", e Eduardo Dubal, produtor executivo, que contam sobre a produção da obra.

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