10 de out de 2011

'TENHO QUE RETRIBUIR A CHICO', DIZ NELSON XAVIER

Ator que viveu o médium Chico Xavier duas vezes no cinema interpreta psiquiatra em produção que chega às telonas nesta semana

Nelson Xavier interpreta o psiquiatra Levy em O Filme dos Espíritos (Luciano Piva)
Nelson Xavier já trabalhou em mais de 50 filmes e 20 novelas, mas nos últimos anos teve a sua imagem atrelada à do médium mineiro Chico Xavier, ao interpretá-lo duas vezes no cinema – na produção de mesmo nome, de 2010, e em As Mães de Chico Xavier, lançado em abril passado. Neste fim de semana, ele volta às telonas em mais um longa-metragem espírita, O Filme dos Espíritos.

O ator, no entanto, não encarna o papel do médium novamente. Nelson Xavier vive o psiquiatra Levy, que trabalha em um hospital de deficientes mentais e é espírita. Logo no início do filme, seu personagem descobre que tem um câncer, mas a morte não lhe assusta. Xavier viveu a cena na vida real, em 2004, quando foi diagnosticado com câncer de próstata. O medo da morte, no entanto, já não lhe tira a tranquilidade. “Não posso dizer que estou preparado para a morte, mas admito que fiquei mais maduro e sereno em relação a ela depois dos filmes”, diz.

Em entrevista, Nelson Xavier fala sobre as mudanças que sofreu após o contato com o espiritismo e se diz na obrigação de retribuir o bem que, acredita, Chico Xavier fez em sua vida. “Hoje, acredito numa porção de coisas em que antes não acreditava e recebo isso como um presente, um prêmio que deve ser retribuído”, declara. Confira abaixo.

Você começou a filmar Chico Xavier dizendo-se ateu, mas já está no terceiro filme espírita. Depois deste último longa, você se considera religioso? Não gosto de resumir nada a religião, porque isso diminui as coisas. Mas antes eu me nomeava ateu, hoje não posso mais dizer que sou. Sempre acreditei que a frase dita por Jesus, “Amai-vos uns aos outros”, era a coisa mais revolucionária já dita por alguém, ainda mais por ter sido proferida há 2.000 anos. E vi que o Chico viveu assim, guiado por esse pensamento. Percebi também que acreditava nele, mas não o colocava em prática, ficava só reclamando do que os outros não faziam. Hoje, acredito numa porção de coisas em que antes não acreditava. A vivência com o universo do Chico me mudou muito. Tê-lo vivido me tornou próximo das coisas que ele disse, me emocionando a tal ponto que recebi tudo como um presente, um prêmio. Tenho que retribuir.

Então, fazer esses dois últimos filmes depois de Chico Xavier, com produções mais simples e de menor orçamento, foi uma forma de retribuição? Pois é. E este eu fiz porque o trabalho daquela gente nas Casas André Luiz é uma coisa tão fantástica que ninguém pode ficar indiferente. O trabalho que eles fizeram de ajudar oito jovens a realizar curtas-metragens, apoiando a vocação deles, foi muito interessante. Acho até que o filme superou as expectativas, já que foi o primeiro longa deles.

Em O Filme dos Espíritos, seu personagem, Levy, é psiquiatra no hospital das Casas André Luiz, que atende deficientes mentais na vida real. Como foi para você a gravação das cenas com os pacientes? Não há como passar incólume àquele pátio que aparece no filme. Eu conheci o local na hora de filmar, ao cruzar um corredor entre os pavilhões do hospital. Não vi nada, só ouvi o som das pessoas nas camas, os gemidos. Do outro lado, eu já estava chorando muito. E fiquei muito inspirado para fazer o Levy. Aprendi uma dimensão da caridade que não conhecia. Aqueles deficientes são tratados por aquelas pessoas como se fossem irmãos diletos, com uma alegria e uma generosidade extraordinárias.

O filme trata de temas bem marcantes para a doutrina espírita, como aborto, reencarnação, mediunidade, obsessão e vida após a morte. Seu pensamento sobre algum desses assuntos mudou? Sobre aborto, sempre pensei que a mulher tem que decidir o que fazer. Cada um escolhe seu destino, e isso continuo pensando. Sobre os outros temas, eu tinha uma posição meio neutra, mas agora estou achando que é verdade, que é possível que a comunicação entre os dois mundos exista.

Nos três filmes espíritas de que você participou, os seus personagens lidam diretamente com a morte. E você, como encara essa questão hoje? Não posso dizer que estou preparado, mas admito que fiquei mais maduro e sereno em relação à morte. O câncer que descobri em mim há oito anos, antes do filme do Chico, também foi parte desse processo todo. Caí num abismo e quem me ajudou a levantar foi minha mulher, Via Negromonte. Uma experiência dessas coloca a gente frente a questões que não se enfrentam normalmente. Quando o filme do Chico apareceu, de certo modo foi bom ter tido câncer, eu estava mais sensível a essas questões. Foi como uma preparação.

Há previsão de um novo longa espírita? Não apareceu outro convite. Se aparecer algo interessante, posso analisar. Mas também não quero começar a fazer filme espírita sem parar. Faço bandido, também, a vida continua, é meu ofício.

E quais são seus próximos projetos? Nos próximos dois meses, devo estrear uma espécie de monólogo com um texto composto, entre outras coisas, por falas do Chico Xavier em várias ocasiões. Ele disse tanta coisa incrível sobre o amor e a caridade que acho importante reproduzir. Em um certo momento, eu o interpreto. Em outros, falo frases dele. A seleção foi feita pelo meu amigo escritor Ivan Jaf. A direção é da minha mulher, Via Negromonte.

A partir da Veja. Leia no original

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