16 de jul de 2012

PERDI A VONTADE DE VIVER, E ATÉ DE SER GENTE

“Meu nome é Maria Amélia. Sou tímida e falo pouco; e não consigo falar sobre o que me incomoda, pois tenho muita vergonha. O caso é que não tive culpa nenhuma, mas me sinto muito mal. Me vejo como uma mulher da vida. Sinto que não tenho valor e que, realmente, não valho nada. Perdi tudo.

Perdi minha vida, minha honra, minha dignidade... Enfim, perdi tudo.

Não podia falar pra ninguém porque ele me ameaçava. Não somente a mim, pois se a única atingida fosse eu, teria contato tudo. Mas ele ameaçava a vida da minha mãe e da minha irmã mais nova. Pior, dizia que faria com ela o mesmo que fez comigo.

Não foram muitas vezes. Foi uma só. Ele me atacou, fez o que quis e parece até que se arrependeu. Mas era tarde demais pra mim. O estrago já estava feito.

Ele simplesmente acabou comigo. Perdi a vontade de viver. De ser feliz, de ser gente. Ele pediu perdão, disse que não sabia onde estava com a cabeça, mas, como eu disse, já era tarde.

Sofri desgraçadamente a vida toda sem nunca ter contado isso a ninguém. Não tirei minha vida porque tinha a certeza de que as coisas iriam ficar piores. Tentei ser digna do meu jeito. Recusei muitos casamentos porque não conseguia enganar uma pessoa que me via como uma pessoa pura. Não achava justo me entregar suja a um homem de boa-fé.
Por isso, me mantive só.

Me revoltei, quis me vingar da vida, pois não entendia porque isso tinha acontecido comigo. Mas Deus me fez ver que o perdão deveria ser praticado, que eu deveria passar por isso sem alarde e aceitar a meu modo.

Se aceitei? Acho que me conformei com a situação, mas nunca me esqueci do fato e isso me fez infeliz a vida toda. Não houve uma noite sequer que eu não tenha dormido depois de chorar e pedir a Deus paciência.

Acho que por insistência, Ele me atendeu. Vivi bastante e quando desencarnei já era uma pessoa sozinha. Amada, amargurada por dentro, mas sempre cheia de amigos. Todos me achavam uma pessoa boa, que tinha deixado de viver sua própria vida para cuidar da família.

Morri num asilo, mas não estive só em momento algum. Deus me deu esse privilégio.

Quando aqui cheguei, revi toda a minha existência e outras anteriores e pude entender o acontecido. Graças a Deus, passei por isso tudo com resignação e sem ódio. Cumpri meu dever de casa, mesmo achando que a mão de Deus tinha sido pesada demais.

Hoje agradeço aos espíritos que, com certeza, me acompanharam nesta caminhada. Certamente eu teria sucumbido se estivesse só.

Só vim para dar meu testemunho de que por mais que pareça pesado demais o fardo a nós confiados, ele nunca é maior do que as forças que temos para carregá-lo. Estou aqui para dizer e pedir que tenham fé, amor e que perdoem algum mal, pois pode ser nada mais do que aquilo que já provocamos em outra pessoa. Isto é para dar forças para que suportemos as agruras da vida sem pensar em atentar contra ela.

É pesado? Muito. Parece desanimador? Com certeza, mas só saberemos o porque de tudo e o valor de aceitar as pedra do caminho quando chegarmos ao lar espiritual.

Sejam fortes e não temam os obstáculos. Cada prova te empurra para a paz e felicidade, que não são desta vida. Perdoem quem lhes fez mal. Não vale um centavo cada minuto de rancor.”

Assinado : Maria Amélia
Data : 24 de abril de 2012
Local :  "Casa da Prece" - Sorocaba ( SP )
Médium : S.A.O.G.



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