29 de jul de 2012

VIDAS ROUBADAS


"Que Deus abençoe essa Casinha de Luz. Eu hoje estou realizando um sonho dos mais felizes que é colocar em papel o desejo de “falar” sobre tudo o que vivi de forma reduzida segundo a permissão dos meus orientadores. Eu passei pela Terra já fazem alguns anos de vossos dias (sic). Morei em pequena cidade do interior de Minas Gerais, e ali estudei e trabalhei em companhia de minha amada família que soube me educar com o rigor e o carinho comum aos homens de boa fé.  Tornei-me um homem bem sucedido em negócios, angariando terras que faziam perder de vista a quem as tentasse mirar. Constituí família e muito feliz me senti presenteado por Deus por minha querida esposa e pelos meus três filhos adorados. E quanto mais o tempo se passava, mais eu me sentia um privilegiado da vida por receber das mãos de Deus todos aqueles tesouros.

Mas, como na vida, muitas coisas ficam sem respostas, eu em meio a um dia de verão, acabei por perder a vida dos meus filhos, que desprevenidos, puseram-se em marcha em nossa pequena lagoa de pesca, numa corrida de quem venceria a travessia, mal sabendo o que lhes se sucederiam (sic). Um atrás do outro em vão lutaram para salvar-se a si e aos seus irmãos.  

Dizer da dor daquele dia seria pouco e dimensioná-la seria para mim hipocrisia, porque não existe dor mais atroz nessa vida que perder um filho, quanto mais os três de uma vez só...  Que Deus era esse que me havia dado tanto para depois me roubar? Porque Ele assim o fizera? Que Ele pretendia? Matar-me? Acabar com minha vida?  Ele havia conseguido, porque, por mais que eu tentasse reanimar minha querida esposa, ela se definhava dia a dia pela dor que lhe perecia, distanciando-se mais e mais dos meus dias.   Eu a perdi. Pouco depois eu a perdi... E pouco depois, vi-me só e abandonado por Deus. 

Vivi, se assim se pode dizer que aquilo era vida, porque o meu desejo de compreender tal atrocidade era tanto, que me mantinha acesa a pouca vida que restava em mim.

De casa em casa bati a procura de entendimento. De igreja em igreja busquei a minha possível absolvição para um pecado que eu mal entendia. Eu me perguntava: em que foi a minha condenação? Até que depois de algumas décadas, chegou-me a notícia de que havia uma casinha como esta [Centro Espírita] que imprimia [no papel] as preciosas réstias de luz consoladora para as perdas dos entes queridos, que vinham em noites como esta postar seus depoimentos de que a vida não cessa jamais. Eu que ali fui não me contive e a simples idéia de rever meus amores fez com que eu ali comparecesse anos a fio em busca de algumas palavras... Mas, elas não vieram. Nem as palavras, nem meus queridos. O que vieram foram meus cabelos brancos e minhas enfermidades que me fizeram perecer. 

E, eu que achava que o dia derradeiro não chegaria, chegou. Eu o esperava ardentemente porque queria me assegurar do reencontro... E ali sentindo a minha impotência diante da vida, rendi-me e entreguei a minha vida.  E, mal fechei os olhos vi algumas figuras reluzentes que me acariciavam os cabelos e sorriam ao meu redor.

Eram meus entes queridas que souberam me esperar para que um dia pudessem ali estar. Foi um momento de júbilo e alegria. Enfraquecido que estava, vi-me sendo cuidado e amparado por amigos de inestimável amor...

Anos se passaram e muito me foi sendo oferecido em forma de informações que aos pouco elucidaram a minha indignação pelos anos que vivi na Terra sem entender... E quando soube acerca do fim que meus queridos filhos tiveram, soube mais que nunca, que a Lei tarda, mas não falha na cobrança de nossas ações pretéritas. Meus três queridos estiveram envolvidos em acontecimento que nefastamente também tiraram a vida de outros três jovens por mero descuido e descaso que não me cabe muito elucidar. 

Eu que hoje aqui estou, venho assegurar-lhes da vida após a vida e dizer que por mais que sua vida seja sofrida, por mais que não a compreenda bem pela perda que lhe impôs a vida, por mais que anseie por notícias que não vem, não se desespere, ore e espere que um dia a resposta e o socorro divino vêm explicar-lhe e a merecida colheita da paz e dias dos melhores estarão mais à frente cercando-vos de luz."
Assinado: Um Amigo Espiritual
Data : 24 de julho de 2011
Local :  Casa da Prece - Sorocaba ( SP )
Médium : Maria do Carmo Pellegrini

3 Comentários:

Catia Lima disse...

Que linda e triste essa história. Mas é verdade, somos ainda covardes diante da dor, não procuramos entender o porque do que nos acontece. Que felicidade poder reencontrar quem se ama !!!

Anônimo disse...

Eu concordo com você Catia Lima! São dramas de ensinamento inestimáveis!!!

Anônimo disse...

Nossa! que linda historia! como é bom ouvir que existe vida após vida, saber que um dia irei encontrar meu amorzinho é muito bom.

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