Mãe de Giulia, de 1 ano e 8 meses, ela mudou de Manaus para São Paulo para tratar a filha
 
A pequena Giulia tinha um tumor com mais de 10 cm 
"Giulia nunca havia adoecido. Para nós, visita ao pediatra era só de rotina. Eu e meu marido somos de Manaus e programamos a viagem dos sonhos para levar nossa filha mais velha, Giovanna, de 8 anos, à Disney em janeiro. 

Levamos Giulia junto. Logo nos primeiros dias em Orlando, ela perdeu o apetite e começou a ter febre. Passei quinze dias com meu bebê doente, sem sair do hotel. Tão logo voltamos para Manaus, procuramos o pediatra. Ele receitou antibiótico, e nada de Giulia melhorar. A essa altura, ela já estava desidratada, com vômito, diarreia e uma anemia severa. Depois de uma tomografia, veio enfim o diagnóstico: um tumor de mais de 10 centímetros acima dos rins. Faltou chão. Por que aconteceu com o meu bebê tão querido, tão amado? Fiquei desesperada. Pleiteamos com o governo do Amazonas um avião particular com UTI para trazê-la a São Paulo. Conseguimos. Do aeroporto, seguimos direto para o Hospital do Graacc. Giulia tem um neuroblastoma, tipo de câncer que se inicia no tecido nervoso devido a um erro genético. O tumor dela é inoperável devido a seu tamanho e localização. Por enquanto, podemos contar apenas com a quimioterapia e aguardar a definição do caminho do tratamento. Na última consulta, recebemos boas-novas: o tumor diminuiu mais de 30%. Eu e meu marido nos mudamos para São Paulo e moramos em um apartamento emprestado, no Itaim Bibi. Estamos procurando uma escola para matricular nossa fi lha mais velha. Ainda não dá para saber quanto tempo ficaremos por aqui. O dia em que voltar para Manaus, com Giulia curada em meus braços, será o mais feliz da minha vida.”

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Uma semana após a publicação da reportagem, Giulia foi internada. Em estágio avançado, o tumor não respondeu aos tratamentos seguintes. Ela morreu no último domingo (22). “Fizemos tudo o que estava ao nosso alcance, mas a doença era muito agressiva e evoluiu rapidamente”, afirma o médico Sérgio Petrilli, do Graacc. Antes de Giulia partir, a mãe mostrou à criança vídeos com os momentos especiais em família de sua curta vida. Infelizmente, Soraya voltou para casa, em Manaus, sem seu bebê curado nos braços. “A dor é enorme e profunda. Minha filha foi um anjinho e agora vai brilhar no céu", diz.